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Alta do Bitcoin pode continuar mesmo sem Clarity Act, diz CIO da Bitwise

A derrota do Clarity Act no Senado dos Estados Unidos pode ter um impacto menor sobre o mercado de criptomoedas…

A derrota do Clarity Act no Senado dos Estados Unidos pode ter um impacto menor sobre o mercado de criptomoedas do que inicialmente esperado e não deve, por si só, interromper uma possível retomada de alta do Bitcoin e de outros ativos digitais. Essa é a avaliação de Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, que revisou sua visão após o fracasso do principal projeto de estrutura regulatória para cripto em discussão no Congresso americano.

Em uma nota publicada na quarta-feira (16), Hougan afirmou que anteriormente esperava cerca de seis semanas adicionais de dificuldade para o mercado caso o Clarity Act não avançasse. Agora, porém, ele considera esse cenário menos provável.

Segundo o executivo, o comportamento recente do Bitcoin ajuda a explicar a mudança. Desde o início de julho, quando o BTC chegou à região de US$ 58 mil, a criptomoeda voltou a subir e chegou a ultrapassar US$ 80 mil no começo de setembro. No mesmo período, as probabilidades atribuídas pelo mercado de apostas Polymarket à aprovação do Clarity Act em 2026 caíram de 39% para 14%.

Para Hougan, se a continuidade da alta das criptomoedas dependesse diretamente da aprovação da lei, seria esperado que Bitcoin e outros ativos acompanhassem a deterioração das perspectivas para o projeto. O que aconteceu foi justamente o contrário.

A avaliação representa uma mudança em relação ao posicionamento adotado pelo executivo no início do ano. Em janeiro, Hougan havia comparado o Clarity Act ao “Punxsutawney Phil”, a marmota utilizada em uma tradição americana para prever a duração do inverno, e afirmado que uma derrota poderia significar “mais seis semanas de inverno” para as criptomoedas.

O projeto acabou não avançando. A votação processual no Senado terminou com 49 votos favoráveis e 50 contrários, abaixo dos 60 necessários para levar a proposta adiante. O texto buscava estabelecer uma estrutura mais ampla para o mercado de ativos digitais, incluindo uma divisão mais clara de atribuições entre SEC e CFTC.

Wall Street não esperou pelo Congresso

Um dos principais argumentos de Hougan é que grandes empresas financeiras continuaram ampliando suas operações com ativos digitais mesmo diante da incerteza sobre o Clarity Act.

O executivo citou movimentos recentes como o desenvolvimento de uma blockchain própria pela Robinhood, produtos ligados a Solana lançados por instituições tradicionais e os primeiros testes da Depository Trust & Clearing Corporation (DTCC) com liquidação de ações tokenizadas. Na avaliação dele, essas empresas encontraram segurança suficiente na postura atual de SEC e CFTC para continuar investindo no setor sem esperar uma lei do Congresso.

As duas agências devem ganhar ainda mais importância depois da derrota legislativa. O presidente da SEC, Paul Atkins, já indicou que a comissão pode tratar por meio de suas próprias normas de parte dos temas que seriam cobertos pelo Clarity Act. A CFTC também sinalizou intenção de continuar avançando com regras específicas para criptomoedas. Analistas da Bernstein esperam uma atuação “agressiva e rápida” dos reguladores para preencher parte do espaço deixado pelo Congresso.

Hougan reconhece, no entanto, que essa solução tem limitações. Regras criadas pelas agências podem ser alteradas por uma futura administração ou contestadas judicialmente, enquanto uma legislação federal teria maior permanência. Além disso, apenas o Congresso pode ampliar formalmente determinadas competências da CFTC sobre o mercado à vista de criptomoedas.

Por isso, o CIO da Bitwise considera que a aprovação do Clarity Act ainda seria positiva para o setor, sobretudo por oferecer maior segurança jurídica no longo prazo. O JPMorgan também avaliou nesta semana que o projeto não está completamente encerrado, embora a janela para uma nova votação antes do fim do atual Congresso tenha ficado “extremamente estreita”.

Para o mercado, porém, outros fatores podem pesar mais no curto prazo. Hougan citou a trajetória dos juros americanos e dos preços do petróleo como possíveis razões para a queda do Bitcoin após a votação. Outros analistas também têm argumentado que política monetária, liquidez e oferta e demanda devem continuar sendo determinantes mais importantes para os preços do que o destino imediato do Clarity Act.

A própria Bitwise mantém uma visão positiva para o próximo ciclo do mercado. Em julho, Hougan afirmou que uma nova fase de alta poderia ser impulsionada principalmente pela aproximação entre finanças tradicionais e infraestrutura on-chain, incluindo stablecoins, tokenização, negociação 24 horas e liquidação instantânea.

Assim, a leitura atual do executivo é que a derrota do Clarity Act representa mais um obstáculo do que uma mudança estrutural na trajetória do setor. Ainda pode haver volatilidade enquanto SEC e CFTC deixam mais claro como pretendem avançar, mas, na avaliação de Hougan, uma eventual alta das criptomoedas não depende mais da aprovação da legislação pelo Congresso.

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Fonte: Portal do Bitcoin

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