ECONOMIA
BTG (BPAC11): Analistas veem novo motor — e um risco no radar; ação cai
Não foi aquela disparada de 40% no lucro vista no primeiro trimestre, mas o BTG (BPAC11) mostrou porque é um…

Não foi aquela disparada de 40% no lucro vista no primeiro trimestre, mas o BTG (BPAC11) mostrou porque é um dos favoritos de investidores.
No segundo trimestre, o banco lucrou R$ 5,1 bilhões, alta de mais de 20% na comparação anual, e superou em 5% as estimativas da média do consenso da Bloomberg.
Nada mal para um banco que conseguiu criar um modelo de negócios ‘cascudo’ para navegar pela piora do mercado. Se uma linha de negócios sai mais fraca, como a gestão de riquezas, outra surpreende positivamente, como o segmento voltado para o crédito de pessoas físicas.
Esse, aliás, é um dos pontos destacados nos relatórios das corretoras. A área, que é uma herança do Banco Pan, viu a carteira de crédito ao consumidor atingir R$ 78,2 bilhões no trimestre, alta de 6,2%, “impulsionada principalmente pela originação de crédito consignado privado”.
Na comparação anual, a carteira teve alta de 35,2%.
As receitas cresceram 73,7% em relação ao ano anterior, para R$ 1,4 bilhão, impulsionadas principalmente pela participação adicional de 20% no Banco Pan e pela contribuição da Meu Tudo.
“O resultado acima do esperado foi impulsionado principalmente pela franquia de crédito ao consumidor, que mais do que compensou desempenhos abaixo do esperado em Wealth Management e Investment Banking”, escreveu o Safra.
Além do resultado em si, o banco passou a reconhecer sua participação proporcional de 48% nas receitas da Meu Tudo, contribuindo para uma surpresa positiva de 25% nas receitas de Corporate Lending em relação às estimativas.
O desempenho acima do esperado, segundo o Safra, foi amplamente sustentado pela “contínua expansão do crédito consignado privado, bem como pelo crescimento do financiamento de veículos”.
O principal destaque do Citi, por exemplo, não é o resultado acima do esperado em si, mas a mudança na composição do lucro.
Enquanto o crédito imobiliário continua a se normalizar, o crédito para pessoa física, o financiamento e as receitas recorrentes estão preenchendo cada vez mais esse espaço, “tornando a rentabilidade estruturalmente menos dependente dos ciclos do mercado de capitais”.
“Se o BTG conseguir manter esse equilíbrio entre crescimento de crédito, disciplina de risco e capitalização de taxas, a franquia poderá emergir com um perfil de lucros mais diversificado e resiliente do que em ciclos de mercado anteriores.”
Para o JPMorgan, no geral, foi um bom trimestre, que reforça a visão de que o BTG está mais bem posicionado do que os bancos tradicionais diante de um potencial agravamento do ciclo de crédito.
“Em particular, notamos que o BTG reduziu o risco de sua carteira de PMEs (pequenas e médias empresas) em 19% em relação ao trimestre anterior e aumentou as provisões no nível bancário, enquanto continua a apresentar crescimento diversificado de receita.”
Na bolsa, porém, a ação caia. Por volta das 11h15, a queda era de 2,44%, a R$ 51,92.
Pontos de atenção
Apesar dos elogios, os analistas não deixaram de apontar alguns pontos de atenção. O principal deles é que o crescimento do crédito ao consumidor pode aumentar a exposição do banco a uma carteira mais arriscada e levantar algumas questões sobre a qualidade dos ativos.
“Os investidores podem avaliar isso com mais cautela diante da deterioração gradual das tendências de qualidade dos ativos no setor”, diz o Safra.
O Citi vai pelo mesmo caminho. Segundo os analistas, o peso crescente do financiamento ao consumidor justifica um monitoramento mais rigoroso.
Mas, para o banco, os primeiros sinais permanecem construtivos: as exposições classificadas como Estágio 2 e Estágio 3 permanecem amplamente estáveis, apesar do forte crescimento do crédito; o financiamento continua crescendo mais rapidamente do que os ativos; e os índices de capital melhoraram sequencialmente.
Na prática, os créditos classificados como Estágio 2 e 3 são aqueles que apresentam maior deterioração de risco ou já estão em situação de inadimplência, o que faz desses indicadores um termômetro importante para a qualidade da carteira.
Já o JPMorgan destaca o desempenho mais fraco do que o esperado na gestão de patrimônio como a principal surpresa negativa, seguido por uma queda de 5% nas vendas e operações de trading e por um desempenho fraco, porém esperado, no segmento de banco de investimento.
“Os investidores provavelmente se concentrarão nos menores rendimentos da gestão de patrimônio e na sustentabilidade do financiamento ao consumidor.”
A XP lembra ainda que o ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido médio, na sigla em inglês) avançou sequencialmente para 26,7%, apesar de o crescimento estar sendo cada vez mais impulsionado por negócios “mais intensivos em capital”.
Em outras palavras, o BTG está conseguindo crescer, mas parte cada vez maior desse crescimento exige que o banco aloque mais capital para sustentar as operações.
O que fazer com BTG?
Os analistas mantiveram a recomendação de compra para o papel.
“No geral, consideramos o trimestre sólido. Embora o momento permaneça limitado em Wealth Management e Investment Banking, o BTG continua diversificando com sucesso sua base de resultados e capturando oportunidades de crescimento além de suas franquias tradicionais”, afirma o Safra.
O JPMorgan também sustenta que o BTG entregou mais um bom trimestre, com o patrimônio líquido crescendo em linha com os resultados e um índice de capital CET1 (Common Equity Tier 1, principal medida de capital de alta qualidade dos bancos) avançando 20 pontos-base.
O banco de investimentos mantém sua recomendação de compra e vê o BTG sendo negociado a aproximadamente 8,8 vezes o P/L (preço sobre lucro) estimado para 2027 e 2,5 vezes o P/VP (preço sobre valor patrimonial) estimado para 2026.
Na prática, o P/L mostra quanto o investidor paga pelo lucro esperado da companhia, enquanto o P/VP compara o valor de mercado do banco com seu patrimônio líquido.
Quanto menores os múltiplos, em tese, mais barata está a ação em relação a esses indicadores — embora a comparação precise levar em conta o crescimento e a rentabilidade esperados.
Fonte: Money Times
Perguntas frequentes
Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.
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- Os analistas mantiveram a recomendação de compra para o papel. “No geral, consideramos o trimestre sólido. Embora o momento permaneça limitado em Wealth Management e Investment Banking, o BTG continua diversificando com sucesso sua base de resultados e capturando oportunidades de crescimento…
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