CRIPTOMOEDAS · BITCOIN
Proposta de brasileiro para EUA trocarem ouro por Bitcoin aparece em projeto que o Congresso vota nesta quarta
A ideia que João Paulo Mayall enviou ao secretário do Tesouro americano em agosto do ano passado, remarcar as reservas…

A ideia que João Paulo Mayall enviou ao secretário do Tesouro americano em agosto do ano passado, remarcar as reservas de ouro a preço de mercado e usar o ganho para comprar Bitcoin sem emitir dívida nova, virou texto legislativo.
O H.R. 8957, o American Reserve Modernization Act, vai a markup no comitê de serviços financeiros da Câmara nesta quarta-feira (16) e manda o Tesouro estudar exatamente essa rota entre as formas budget neutral de ampliar a reserva estratégica. Na época, Bessent respondeu na Fox Business que não havia plano de reavaliar o ouro e que os EUA não comprariam Bitcoin.
Mayall, fundador do primeiro ETF de Bitcoin da América Latina, publicou a proposta em 13 de agosto de 2025, marcando o próprio secretário.
Marque o ouro a preço de mercado, venda 13,88% das reservas e compre 1 milhão de Bitcoins: um movimento com orçamento neutro. Continuaria sendo o maior detentor de ouro, com 209% mais reservas do que a Alemanha, que está em segundo lugar.
No dia seguinte, Bessent foi à Fox Business dizer que não havia plano de reavaliar a reserva de ouro e que os Estados Unidos não comprariam Bitcoin. Horas depois, diante da repercussão negativa entre eleitores de Donald Trump, o secretário voltou ao X para afirmar que o Tesouro está comprometido em explorar formas de aquisição de Bitcoin com orçamento neutro.
Logo na sequência, a senadora Cynthia Lummis entrou no assunto defendendo a mesma tese: reavaliar as reservas de ouro pelos preços de hoje e transferir o aumento de valor para construir a Reserva Estratégica de Bitcoin.
O que diz a Seção 9
Treze meses depois, a rota está no papel. O H.R. 8957 foi apresentado em 21 de maio de 2026 pelo deputado Nick Begich (R-AK), com o democrata Jared Golden (D-ME) como co-autor e mais de 20 apoiadores.
O projeto não autoriza nenhuma compra direta de Bitcoin, ao contrário do BITCOIN Act da senadora Lummis, que prevê a aquisição de 1 milhão de BTC e segue parado no Senado. O que a Seção 9 faz é ordenar um estudo de 180 dias sobre formas budget neutral de ampliar a reserva, proibindo dívida nova, imposto novo e gasto deficitário para comprar a criptomoeda.
Entre as rotas listadas para esse estudo está a reavaliação dos certificados de ouro do Tesouro. Hoje o governo americano registra 261.498.926 onças troy finas, cerca de 8.133 toneladas, a US$ 42,22 por onça, preço estatutário fixado em 1973 e nunca atualizado.
No balanço, isso soma pouco mais de US$ 11 bilhões. A preço de mercado, com o ouro perto de US$ 4.280 a onça, o mesmo estoque vale aproximadamente US$ 1,12 trilhão. A diferença entre os dois números é o crédito que a remarcação geraria.
Projeto criaria a primeira exigência de proof of reserve em lei federal
Para Mayall, porém, o ponto mais relevante do projeto não é o da aquisição, e sim a Seção 6, que passou quase despercebida na cobertura. O dispositivo exigiria que o Tesouro publicasse trimestralmente, em site oficial, o total de Bitcoin sob custódia, as transações, a demonstração de controle das chaves privadas e uma atestação criptográfica pública, verificada por auditor terceirizado independente, com o GAO revisando a reserva, os relatórios e a própria auditoria.
O contraste é com o ouro. A última auditoria física completa das reservas americanas foi em 1953. Em 1974, o GAO auditou cerca de 21% do que estava em Fort Knox, e desde então as câmaras seguem lacradas e conferidas por cronograma interno. Nenhum outro ativo do balanço americano carregaria obrigação de transparência semelhante à proposta para o Bitcoin.
A assimetria não é falta de vontade política, é a arquitetura que o Bitcoin permite e o ouro não. Provar ouro exige contar barra por barra num cofre onde ninguém entra, provar Bitcoin exige uma assinatura que qualquer um confere em segundos.
João Paulo Mayall, fundador do primeiro ETF de Bitcoin da América Latina
Votação de quarta é apenas o primeiro passo
O H.R. 8957 também prevê trava de 20 anos para a venda de qualquer Bitcoin depositado na reserva, sem possibilidade de venda, swap, leilão ou oneração no período. Passado o prazo, o Tesouro poderia recomendar a venda de até 10% dos ativos a cada dois anos, sempre com revisão do Congresso. O projeto ainda determina que todas as agências federais prestem contas de seus ativos digitais ao Tesouro em até 60 dias após a promulgação, o que produziria o primeiro inventário estatutário completo do que o governo de fato controla.
Esse inventário resolveria uma indefinição antiga. Quando a reserva foi anunciada, o então assessor da Casa Branca David Sacks falou em cerca de 200 mil BTC e um dos rastreadores marcava 198.109 unidades. Em julho de 2026, a Arkham estimava aproximadamente 324 mil, enquanto o Bitcoin Treasuries listava 328.372.
A votação de quarta-feira é um markup de comitê, não a aprovação final. Para virar lei, o texto ainda precisa passar pelo plenário da Câmara, pelo Senado e ser sancionado pelo presidente.
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Fonte: Livecoins
Perguntas frequentes
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