ECONOMIA
Política do Rio torna-se museu de grandes novidades
Não se trata só da falta de cerimônia com que ex-governadores frequentam o circuito penitenciário do Estado do Rio. O…

Não se trata só da falta de cerimônia com que ex-governadores frequentam o circuito penitenciário do Estado do Rio. O banditismo afastou nomes respeitáveis, sufocou novos talentos e, em consequência, trouxe aos holofotes jovens que já nasceram velhos. A política fluminense parece o tal museu de novidades do qual falava a canção de Cazuza. O futuro repetindo o passado.
O tempo não para, dizia o poeta. Mas, a bem do eleitor e do espectador de debates no Rio, bem que o tempo poderia retroceder. Quem já assistiu a debatedores da voltagem e agilidade mental dos ex-governadores Leonel Brizola e Carlos Lacerda realmente tem dificuldade em resistir ao tédio, em não sucumbir à mediocridade.
Em lugar da faísca intelectual que dá vida a um debate, pulularam as frases feitas de marqueteiros, as tentativas de lacração roteirizadas, os tópicos de programa de governo decorados por candidatos, aguados por “media training”. Um duelo sem rivalidades construídas é como um Fla-Flu em que ninguém quisesse ganhar.
O candidato Douglas Ruas (PL), de 37 anos, fez uma nada surpreendente dobradinha com André Marinho (Novo), de 32 anos, contra a “velha política”. Ao responder a uma pergunta de William Siri (PSOL), de 34 anos, sobre como se posiciona diante da proposta de emenda constitucional (PEC) que põe fim à escala 6 x 1, Ruas se esquivou da bala perdida: “Você é jovem como eu e o André, não caia nessa [jogada da velha política]”, disse Ruas. O candidato do PL disse ser favorável, em tese, à redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas semanais, mas não entender o porquê de os empresários terem que arcar com a diminuição da jornada (sem corte proporcional de salário).
Até as perguntas mais incisivas sobre temas relevantes, como a violência contra as mulheres, tiveram ar de naftalina, com abordagem previsível. Quando as perguntas chegaram, no terceiro bloco, aos assuntos das regiões do Estado, presume-se que os espectadores já tivessem ido dormir.
O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), de 56 anos de idade, e ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), de 66 anos, este com cinco passagens pela prisão, eram os únicos debatedores com algum cabelo branco a denotar maturidade, ou, ao menos, experiência. Uma e outra vez o assunto girou em torno da austeridade das contas públicas, como a lembrar um dos fracassos de sucessivas gestões que ajudaram a levar o Estado do Rio a estar onde está.
Se houve um fato político no debate na TV Globo, que marcou o fim da campanha no primeiro turno, foi a estratégia de Paes e Garotinho, coadjuvados por Siri, para associar, colar a imagem do bolsonarismo em Douglas Ruas. Até que ponto funcionou, saberemos no próximo domingo (4).
Fonte: Valor Econômico
Perguntas frequentes
Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.
- Sobre o que trata “Política do Rio torna-se museu de grandes novidades”?
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