ECONOMIA
Estagnado nas pesquisas, Lula terá mudança na estratégia da campanha para se aproximar das demandas do eleitorado
Pressionado pelo avanço de seus adversários, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta promover um freio…

Pressionado pelo avanço de seus adversários, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta promover um freio de arrumação e prepara uma mudança de estratégia na comunicação. Nas próximas semanas, a prioridade será apresentar propostas concretas para um novo mandato e aproximar o discurso das preocupações mais imediatas do eleitorado, como saúde, segurança e educação. A campanha também vai propor medidas que dialoguem com temas mais atuais, como a escalada da crise do Supremo Tribunal Federal (STF), e reforçar críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A soberania nacional, até então adotada como principal mote petista, deve ficar em segundo plano, pelo menos neste momento.
A reorganização da estratégia se deu após críticas internas de que a campanha estava distante da população e não revertia o cenário de empate entre Lula e Flávio, hoje principal adversário do chefe do Executivo, nem convertendo os votos dos indecisos, a partir do avanço de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas de intenção de voto. Pesquisa Quaest divulgada nessa segunda-feira (14) mostrou o senador numericamente à frente de Lula no segundo turno. Flávio tem 42%, ante 40% do petista.
Até então, os principais pilares da corrida de Lula rumo ao quarto mandato à frente do Palácio do Planalto eram comparações dos governos petistas ao do ex-presidente Jair Bolsonaro e destacar a postura de soberania diante do tarifaço americano.
Mas a 20 dias do primeiro turno a equipe política viu Lula estagnado nas pesquisas e reformulou a estratégia para que o presidente seja enfático ao tratar das medidas concretas de uma nova gestão, sem dialogar tanto com o passado. Assim, Lula deve gravar materiais a serem divulgados no horário eleitoral com foco em diferentes áreas.
Nos campos da saúde e educação, a campanha petista deve propor medidas como a retomada do Ciência sem Fronteiras, programa de bolsas de estudo no exterior oferecido pelo governo, um dos carros-chefe da gestão de Dilma Rousseff. Outra medida a ser reforçada é a ampliação do Pé-de-Meia a todos os estudantes de Ensino Médio da rede pública do país.
O programa foi criado no fim de 2023 apenas para estudantes de baixa renda, funcionando como uma espécie de poupança para incentivar a permanência dos estudantes no ensino médio. No governo, é visto como uma das principais vitrines do Lula 3. Ao todo, um estudante pode receber até R$ 9,2 mil ao longo dos três anos do período. Essa universalização do benefício foi cogitada para ser feita ainda este ano, mas não saiu do papel.
Atualmente, segundo o Executivo, mais de 7 milhões de estudantes já foram beneficiados pela iniciativa desde sua criação, ao custo de R$ 12 bilhões. No ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a bloquear recursos do programa, porque não constavam no Orçamento — problema que foi saneado depois por medida provisória (MP).
Já no campo institucional, a campanha de Lula reconhece que o presidente não pode ignorar o debate sobre a crise sem precedentes que atinge o STF. Até então, a equipe política petista tentou blindar o chefe do Executivo para evitar desgastes a poucos dias do pleito.
Para isso, Lula deverá ser mais incisivo sobre o tema, propondo uma reforma no Judiciário. O presidente vai sugerir o estabelecimento de mandatos para ministros e uma discussão sobre reformulação nos órgãos de controle do Judiciário e Ministério Público. Mesmo assim, não deve chegar com uma ideia fechada e vai alegar que quer consultar a sociedade. Atualmente, o posto é vitalício e um ministro só se aposenta aos 75 anos.
Mais propostas
Apesar da mudança em pontos do discurso, a campanha ainda discute as propostas a serem levadas. Isso porque, em alguns casos, ainda não há uma diretriz sobre o que sugerir. A economia é um exemplo. Nos últimos dias, o chefe do Executivo voltou a reclamar sobre o alto preço dos alimentos, mas ainda se debate o que, de fato, pode propor para reverter o cenário. Internamente, o PT quer evitar sugestões ambiciosas que possam trazer solavancos à economia.
Paralelamente, outro ponto da nova estratégia é reforçar ataques de Lula a Flávio, investigado sobre atuação no financiamento do filme “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada após a confirmação de que o candidatado do PL é investigado formalmente por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa.
Além disso, Lula também vai abordar a relação do candidato do PL à Presidência com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Assim que os sigilos foram abertos pelo ministro André Mendonça, na noite de quinta-feira (10), petistas e integrantes da campanha de Lula passaram a analisar o que poderia ser “aproveitado”.
Fonte: Valor Econômico
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