ECONOMIA · MACROECONOMIA
Lula sanciona linha de crédito para compra de carros com juros reduzidos para taxistas e motoristas de app
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta segunda-feira (14), o projeto de lei de conversão (PLV) do “Move…

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta segunda-feira (14), o projeto de lei de conversão (PLV) do “Move Brasil”, que cria a linha de financiamento com juros reduzidos para taxistas, entregadores e motoristas de aplicativo. Nascido de uma medida provisória (MP) governistas de maio, o programa destina até R$ 30 bilhões em crédito para a compra de carros novos no valor de até R$ 200 mil.
A linha de crédito tem juros reduzidos (12,6% para homens e 11,5% para mulheres), com prazo de até 72 meses para o pagamento. Podem participar motoristas de aplicativo e entregadores com cadastro há pelo menos seis meses e que tenham realizado ao menos 100 corridas ou entregas na mesma plataforma e taxista com licenças e registros ativos.
Estão incluídos carros novos movidos a etanol, flex, elétricos e híbridos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), desde a que a linha entrou em operação, no dia 19 de junho, foram vendidos mais de 48 mil carros e mais de 19 mil motos.
Embora os ministros do governo neguem publicamente, a medida faz parte da estratégia do governo Lula em ano eleitoral, visando melhorar aprovação e dialogar com diferentes públicos, em especial dos trabalhadores de aplicativos, considerado refratário ao petista e mais próximo do bolsonarismo.
“O que nós estamos fazendo não é ajudando uma categoria, mas ajudando um país a deixar de ser uma via de desenvolvimento e se tornar desenvolvido”, defendeu Lula, em evento no Palácio do Planalto. “O governo está investindo naquilo que é necessário investir. É dar chance aos que nunca tiveram chance.”
No ato, o ministro Márcio Elias Rosa, do Mdic, também negou qualquer intenção eleitoral da proposta. “Não tem nada a ver com isso. É uma medida que combina a dimensão ambiental, já que é uma troca de frota, social e no aumento de produtividade do trabalhador”, disse.
Motoristas de vans escolares também deverão ser englobados na medida “em breve” por meio de decreto, afirmou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. “Aqueles que apostavam que isso ia afetar a inflação, é o contrário. Que a gente possa seguir com o programa”, defendeu.
Como antecipou o Valor, antes de a linha entrar em operação, o setor privado vinha demonstrando resistência em participar do programa devido ao maior risco associado ao público-alvo e ao potencial considerado limitado de rentabilização desse segmento.
O setor privado também apontava que não tinha acesso aos dados necessários para saber quantos motoristas cumprem os requisitos mínimos do programa, como cadastro ativo há pelo menos 12 meses e ao menos cem corridas nesse período. Mesmo entre os elegíveis, ainda seria necessário avaliar renda, histórico financeiro e capacidade de pagamento.
“Para fazer política pública, todo mundo tem que abrir mão um pouquinho”, argumentou o presidente. “Se todo mundo resolver perder um pouquinho, quem vai ganhar são as pessoas que queremos fazer políticas públicas.”
“Houve várias críticas quando se lançou o Move, de que era eleitoral, e se tornou uma política permanente”, defendeu o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência.
Fonte: Valor Econômico
Perguntas frequentes
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