ECONOMIA
Aumenta escolaridade dos trabalhadores no Brasil; veja as disparidades regionais
Ainda que haja dúvidas e questionamentos sobre o nível de aprendizagem, o avanço da escolaridade no Brasil nos últimos anos…

Ainda que haja dúvidas e questionamentos sobre o nível de aprendizagem, o avanço da escolaridade no Brasil nos últimos anos é uma realidade confirmada por estatísticas. Mas que dados mostram de forma clara esse aumento do grau de instrução da população? E qual é o retrato hoje do nível de escolaridade dos trabalhados ocupados hoje?
Nos últimos 14 anos – desde 2012, quando começa a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua –, houve crescimento da proporção dos trabalhadores mais escolarizados, com ensino superior completo ou incompleto e ensino médio completo, e redução da fatia daqueles nos níveis iniciais de escolaridade. Trabalhadores com maior grau de instrução tendem a ser mais produtivos e também a alcançar rendimentos mais elevados.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a parcela do pessoal ocupado com ensino superior quase dobrou, ao passar de 14,2% no segundo trimestre de 2012 para 25,1% no segundo trimestre de 2026. Ao mesmo tempo, o percentual dos trabalhadores com ensino fundamental incompleto caiu de 29,4% para 16%, em igual base de comparação.
Apesar da expansão do ensino, o país ainda tem atrasos e especialmente disparidades do ponto de vista regional, tanto do ponto de vista de regiões, estados e capitais. No segundo trimestre de 2026, 1,4% das pessoas ocupadas ainda não tinham instrução ou tinham no máximo um ano de estudo. Como referência, são necessários 12 anos de estudo para completar os ensinos fundamental e médio.
O grupo dos trabalhadores com ensino superior representa 25,1% das pessoas ocupadas no Brasil, mas essa parcela é de apenas 19,5% no Norte e 15,6% no Pará. Por outro lado, essa parcela é de 27,7% no Sudeste, apesar de o Distrito Federal ser líder no país, com 43,2%.
Confira em dez gráficos alguns destaques da escolarização dos trabalhadores no país:
Ensino fundamental incompleto
Os trabalhadores nesse nível de instrução representavam quase 30% do total do pessoal ocupado no Brasil em 2012, mas essa participação caiu para 16% em 2026. Todas as regiões registraram queda nos percentuais. Sudeste e Sul se mantêm como as regiões com a proporção desses trabalhadores, em contraponto a Norte e Nordeste.
Estados
O perfil por estados segue o padrão tradicional das desigualdades regionais brasileiras. Pará (23,5%) e Piauí (23,4%) lideram em termos de participação de trabalhadores ocupados que não tem nem mesmo o ensino fundamental completo. No lado contrário, o Distrito Federal têm menos de 10% dos trabalhadores nesse grupo.
Números absolutos
Em números absolutos, o país ainda tinha, no segundo trimestre de 2026, 16,5 milhões de trabalhadores com ensino fundamental incompleto. Cerca de 38% (6,2 milhões) estão no Sudeste e outros 29% (4,8 milhões) moram no Nordeste.
Ensino superior completo
A parcela de trabalhadores com graduação completa do total das pessoas ocupadas no Brasil subiu de 14,2% para 25,1% em 14 anos, entre os segundos trimestres de 2012 e 2026. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a fatia se aproxima dos 30%, enquanto se mantém abaixo dos 20% no Norte e no Nordeste.
As cotas nas universidades públicas federais, as bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) em faculdades privadas e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) ajudaram a impulsionar esse aumento.
Estados
Nos resultados por unidade da federação, o Distrito Federal é, de longe, aquele com a maior proporção de profissionais com graduação concluída (43,2%), influenciado pelo funcionalismo público em Brasília. São Paulo (29,8%), Paraná (27,3%) e Santa Catarina (27,1%) são os estados seguintes na lista, todos com percentual abaixo de 30%. A menor parcela é do Pará (15,6%).
Capitais
Seis capitais do Brasil têm mais de 40% dos trabalhadores ocupados com ensino superior completo e em duas delas essa parcela ultrapassa a metade da população: Vitória (50,5%) e Florianópolis (50,4%). Todas as 27 capitais têm percentuais superiores ao da média brasileira, que é de 25,1%.
Números absolutos
Em números absolutos, o Brasil tinha mais de 25 milhões de trabalhadores ocupados com ensino superior completo no segundo trimestre deste ano, 13,1 milhões a mais que no segundo trimestre de 2012. O maior contingente está no Sudeste, onde 12,73 milhões se enquadram neste grupo.
Sem instrução ou até 1 ano de estudo
A expansão da escolaridade entre os trabalhadores brasileiros nos últimos anos, no entanto, não eliminou do Brasil o grupo que não tem instrução ou cursou apenas um ano de estudo. No segundo trimestre de 2026, o país ainda tinha 1,4% das pessoas ocupadas neste nível de instrução, embora o percentual seja menor que os 3,4% do segundo trimestre de 2012.
Nordeste (2,8%) e Norte (2,4%) são as regiões que essa proporção é maior e puxam a média para cima. Esta
Estados
Entre os estados, a participação dos trabalhadores no nível mais baixo de instrução no país é maior no Maranhão (3,7%) e no Acre (3%) e menor no Rio Grande do Sul (0,4%). Também têm parcela abaixo de 1% Distrito Federal (0,6%), Santa Catarina (0,6%), São Paulo (0,8%), Rio de Janeiro (0,8%), Paraná (0,9%) e Minas Gerais (0,9%).
Números absolutos
O número de trabalhadores nesta situação é de menos de 1,5 milhão. Desse total, 44,3% estão no Nordeste (662 mil pessoas) e 25,9% no Sudeste (387 mil).
Fonte: Valor Econômico
Perguntas frequentes
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