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Criminoso admite usar conta bancária de terceiro para vender material de abuso sexual infantil: 'É de uma menina'

⚠️ Aviso: esta reportagem contém conteúdo sensível sobre abuso sexual infantil. Ao final dela, veja como denunciar casos desse tipo.…

⚠️ Aviso: esta reportagem contém conteúdo sensível sobre abuso sexual infantil. Ao final dela, veja como denunciar casos desse tipo.
Criminosos usam TikTok para promover de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram
Uma investigação do g1 revelou como agem criminosos que comercializam material de abuso sexual infantil na internet. A reportagem mostrou que eles usam o TikTok como vitrine para promover a venda do conteúdo ilegal.
A negociação do conteúdo, porém, é feita dentro do aplicativo de mensagens Telegram.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
Em um dos casos identificados pelo g1, um criminoso admite usar a conta bancária de um terceiro, a quem chama de “menina”.
Ele garante, porém, que a transação do interessado não será rastreada, o que não é verdade, segundo a Polícia Federal ouvidos pelo g1. (entenda mais abaixo)
“Não [será rastreado], porque esse banco que eu tô usando é de uma menina. Eu recebo muito PIX nele. Já já cai a conta. Daí seu PIX nunca existiu kkkk”, afirmou o criminoso.
Criminoso usa PIX para vender conteúdo de abuso sexual infantil e diz que comprador não será rastreado.
Reprodução
Procurado, o Telegram afirmou que proíbe o compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantil e que, apenas neste ano, excluiu mais de 300 mil grupos e canais relacionados a esse tipo de material.
O TikTok disse que remove essas postagens rapidamente e bane as contas envolvidas. “Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens”, completou.
As notas enviadas pelas empresas ao g1 estão, na íntegra, no final desta reportagem.
Criminosos usam contas das próprias vítimas, diz PF
Conteúdo de abuso infantil é divulgado no TikTok
A PF aponta que os agressores costumam utilizar contas bancárias de ex-namoradas ou da própria criança ou adolescente que foi vitimado por eles, buscando eliminar qualquer vínculo direto entre o autor do crime e a transação.
Para evitar exigências de órgãos de controle como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e o Banco Central, as redes criminosas migram para bancos digitais e fintechs com regulamentação mais frágil.
Em alguns casos, elas abrem empresas no setor financeiro para movimentar os recursos sem guardar dados ou responder às autoridades, explicaram os investigadores da PF.
O criminoso que disse usar a conta de “uma menina” também informou como chave PIX um endereço de e-mail com final “@estudante.rs.gov.br”. O g1 não conseguiu localizar a pessoa mencionada no endereço, que tem nome feminino.
Procurada pelo g1, a Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul informou que “está em contato com as autoridades policiais para a apuração desse caso”.
Embora os criminosos se sintam seguros ao usar o PIX, a transação deixa rastros que podem ajudar na investigação. Os dados da conta de quem faz o pagamento ficam registrados e podem ser usados pela polícia para identificar os compradores.
Além disso, bancos tradicionais geralmente identificam como suspeitas transações atípicas ou realizadas a partir de diferentes regiões e, nesses casos, podem bloquear as contas.
Pacotes são vendidos a partir de R$ 10 no Telegram
Criminoso vende conteúdo até de abuso sexual em chat no Telegram.
Reprodução/Telegram
Em um dos canais monitorados pelo g1, um dos pacotes custa US$ 25 (cerca de R$ 130) e dá acesso a um grupo privado no Telegram com milhares de vídeos. No mesmo endereço, outros pacotes são vendidos por US$ 11,99 (cerca de R$ 62) e US$ 17,50 (cerca de R$ 90), com diferentes quantidades de conteúdo.
Em um deles, que aceita PIX, um pacote com 3 GB de vídeos e fotos custa R$ 10, enquanto outro, com 15 GB, é vendido por R$ 35.
Os grupos também anunciam diferentes categorias de conteúdo de abuso sexual infantil, incluindo material com violência sexual, como estupro e incesto.
Um deles afirma ser um dos maiores do Brasil e promete receber material de diferentes fontes, além de garantir a confidencialidade dos compradores. Por R$ 20, o grupo oferece acesso “vitalício”, segundo o anúncio. (veja na imagem abaixo)
Antes da compra, os criminosos costumam enviar uma prévia do conteúdo por meio de um vídeo autodestrutivo, que é apagado após a primeira visualização. Depois, após a confirmação do pagamento, enviam os arquivos na própria conversa.
Grupo vende acesso vitalício a grupo de conteúdo de abuso sexual infantil por R$ 20.
Darlan Helder/g1
O que dizem as empresas
Telegram
“A distribuição de material de abuso sexual infantil é expressamente proibida pelos termos de serviço do Telegram, e dedicamos esforços significativos para erradicá-la de nossa plataforma. Mais de 339.760 grupos e canais relacionados a material de abuso sexual infantil foram removidos em 2026.
Além da moderação humana, o Telegram escaneia todas as mídias enviadas para sua plataforma pública, comparando-as com um banco de dados de hashes de conteúdo de material de abuso sexual infantil previamente removido por moderadores, complementado por conjuntos de dados da Internet Watch Foundation e denúncias de ONGs de todo o mundo.
Como resultado desses esforços, o Telegram praticamente eliminou a disseminação pública de material de abuso sexual infantil em sua plataforma.
O fato de agentes maliciosos precisarem anunciar em outras plataformas significa que eles não conseguem existir publicamente no Telegram como resultado dos esforços de moderação do Telegram. Estatísticas diárias e mais informações: Telegram.org/safety”
TikTok
“Removemos esse conteúdo rapidamente e banimos permanentemente as contas envolvidas. Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens.
Não permitimos conteúdos que retratem ou disseminem o abuso ou a exploração sexual infantil. Quando tomamos conhecimento de qualquer conteúdo desse tipo — seja por meio dos nossos próprios métodos de detecção, denúncias da comunidade ou parcerias com a indústria —, agimos imediatamente para removê-lo, banir as contas envolvidas e reportar os casos ao NCMEC (em português: Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas).
Dados do Nosso Relatório de Aplicação das Diretrizes da Comunidade mais recente, do primeiro trimestre de 2026, demonstram a eficácia dos nossos sistemas em fazer cumprir nossas regras. 99,8% dos conteúdos que violaram nossas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos proativamente da plataforma.”
Veja como denunciar casos de violência infanto-juvenil:
Polícia Militar – 190: quando a criança está correndo risco imediato;
Samu – 192: para pedidos de socorro urgentes;
Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;
Qualquer delegacia de polícia;
Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;
Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;
WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008;
Ministério Público;
Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras)
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Fonte: G1 Economia

Perguntas frequentes

Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.

Sobre o que trata “Criminoso admite usar conta bancária de terceiro para vender material…”?
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