AGRONEGÓCIO

Fiagro VGIA11 desaba 25% após inadimplência de CRA; gestora vê reação “irracional”

As cotas do fundo de investimento do agronegócio (Fiagro) Valora CRA (VGIA11), da Valora Investimentos, apresentam forte queda na B3…

As cotas do fundo de investimento do agronegócio (Fiagro) Valora CRA (VGIA11), da Valora Investimentos, apresentam forte queda na B3 pelo segundo dia seguido, acumulando perda de 24,8% desde segunda-feira (20) após notícias sobre a inadimplência de um emissor de um Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA) de sua carteira. Somente na terça, a cota do fundo registrou queda de 11,23%. Nesta quarta, a perda já alcança cerca de 10%.

A queda começou após a divulgação da notícia de que a Cooperativa Languiru, do Rio Grande do Sul, deixou de pagar em 9 de julho uma parcela de juros de um CRA no valor de R$ 198.990. O VGIA11, um dos maiores Fiagros negociados no mercado, com R$ 1,024 bilhão de patrimônio, possui três CRAs emitidos pela Languiru cujos valores somados representam cerca de 12% do patrimônio do fundo, ou R$ 120 milhões.

A Languiru conseguiu também, em 11 de junho, uma decisão favorável em primeira instância de um juiz da comarca de Teutônia, no Rio Grande do Sul, que a protege de execuções e estabelece um “concurso singular de credores”, o que permitiu à empresa deixar de pagar os juros dos CRAs.

A Languiru já havia passado por dificuldades e renegociado suas dívidas, reforçando as garantias dadas aos credores, mas deixou de pagar a parcela deste mês e passou também a questionar a validade da cessão de recebíveis relacionados a um contrato com a JBS. Esse questionamento é rejeitado pela Valora que, em relatório gerencial, reforça que as operações contam com “todas as garantias originalmente constituídas (alienação fiduciária de máquinas equipamentos, penhor de grãos e avais), bem como as adicionadas no contexto da sua reestruturação por meio do acordo (hipotecas de imóveis e cessão fiduciária adicional de recebíveis de empresas de primeira linha)”.

“Entendemos que estas garantias são suficientes para fazer frente ao montante total da exposição do fundo e não estão sujeitas a outras condições relacionadas aos demais credores da Cooperativa”, disse a Valora.

Em nota, a OPEA Securitizadora, emissora dos CRAs da Languiru, informou que “seguirá adotando as medidas cabíveis, na forma do Termo de Securitização, sem renúncia de qualquer direito”.

Consultada, a Valora informou que é importante que os investidores entendam o caso para não serem prejudicados por um “ambiente irracional” do mercado secundário de cotas “no qual nos parece haver alguma assimetria de informação”. Segundo a gestora, por mais que o fundo tenha uma elevada exposição, de cerca de 12%, a operação conta com garantias reais que superam os 100% da posição do fundo. A gestora observa também que parcela que não foi paga de juros representa 0,05% em relação do patrimônio da carteira e “isso não deveria afetar a distribuição dos dividendos”.

“Até o momento não entendemos que este evento trará impacto no fundo considerando as garantias e avançar estratégico/jurídico que já ocorreram durante a renegociação”, afirmou a Valora em nota.

Em resposta a solicitação de esclarecimentos sobre o caso, o BTG Pactual, administrador do fundo, informou à B3 que, “em relação ao questionamento apresentado, informamos que não identificamos fatos ou eventos relacionados ao Fundo que possam ter impactado as oscilações observadas”.

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Fonte: InfoMoney Agronegócio

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Sobre o que trata “Fiagro VGIA11 desaba 25% após inadimplência de CRA; gestora vê…”?
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André Moura

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