ECONOMIA
Energia limpa coloca Nordeste na rota dos grandes data centers
Em um contexto de transição energética e economia digital, a matriz energética majoritariamente limpa do Brasil coloca o país, em…

Em um contexto de transição energética e economia digital, a matriz energética majoritariamente limpa do Brasil coloca o país, em especial o Nordeste, em vantagem competitiva na atração de investimentos em data centers. Para autoridades e representantes da indústria reunidos no evento “O Nordeste como hub digital do futuro”, em Fortaleza, o cenário favorece a construção de um polo de centros de dados na região para prestação de serviços não apenas em território brasileiro, mas também para a América Latina e o Sul Global.
O evento faz parte do projeto Transição Energética, promovido pelo Globo e pelo Valor Econômico.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, que participou da primeira mesa do debate, “Energia limpa como base da infraestrutura digital”, afirmou que o investidor procura energia, conectividade, segurança jurídica e tráfego internacional. E frisou que incentivos tributários também são essenciais para a atração de investimentos. A mesa foi mediada pela repórter Glauce Cavalcanti, do Globo.
Nesta terça-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Redata, programa que reduz impostos para empresas interessadas em instalar ou ampliar data centers no Brasil. Tributos cobrados na compra ou importação de equipamentos de tecnologia serão reduzidos a zero. O custo estimado para os cofres públicos é de R$ 7,5 bilhões em três anos.
A iniciativa prevê ainda que, em troca dos benefícios, as empresas terão de atender a algumas condições, entre elas a de que a energia consumida pelos projetos venha de fontes renováveis ou de baixa emissão. “Esse é um projeto construído com o setor produtivo. Era uma barreira de entrada essa questão dos custos de importação de equipamentos. O que queremos também é ampliar a indústria nacional com incentivos adicionais para que ela também possa melhorar e fazer suas inovações, para que possamos competir de igual para igual [com competidores internacionais]”, afirmou Siqueira Filho.
Além, do Redata, há recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) que também podem ser usados na expansão de data centers. Dos R$ 3,5 bilhões em operações de crédito, via BNDES, que foram para os operadores de internet, R$ 474 milhões foram direcionados para o Ceará. O Funttel, voltado ao desenvolvimento da indústria de telecomunicações, é outra fonte de recursos. Ele destina cerca de R$ 1 bilhão por ano para qualificar e modernizar o setor, com o objetivo de desenvolver o mercado de data centers.
Ao analisar o papel das fontes renováveis na atração de investimentos tecnológicos, Camylla Melo, especialista do núcleo de energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), que também participou do evento, apontou que a oferta de energia limpa é o fator central para viabilizar os novos empreendimentos no estado. “O maior custo que temos hoje no data center é a energia. Então, a gente incentivar que essa energia utilizada seja renovável vai no caminho da transição energética como um todo. O Ceará tem energia eólica, solar, abundante”, afirmou.
Para a especialista, a combinação entre a matriz limpa e a infraestrutura de telecomunicações cria as condições ideais para a região se destacar: “A gente faz um casamento perfeito aqui quando a gente pensa em energia em abundância, conectividade com os cabos [submarinos] que chegam à Praia do Futuro, quando a gente pensa no porto.”
Há o desafio, porém, de manter um fornecimento estável de energia para os data centers. O ministro explicou que, embora a prioridade seja a matriz energética renovável, o suprimento de renováveis precisa ser integrado a outras fontes que não são intermitentes, como a biomassa e a hidrelétrica. Há ainda a previsão de uso de baterias para armazenar energia. O primeiro leilão de bateria está previsto para o fim deste ano.
“O governo está preocupado com a estabilidade energética do país. Por isso, teremos um leilão no fim do ano para baterias. Já existe tecnologia para isso”, disse Siqueira Filho.
Se a abundância energética e os incentivos do Redata equacionam o lado de matérias-primas e o financeiro, a operação dos complexos de data centers esbarra no gargalo da formação profissional. Melo, da Fiec, lembra que o data center cria um grande volume de empregos durante a fase de construção e instalação, mas a fase operacional exige um contingente reduzido e de altíssima especialização.
“Há necessidade de uma mão de obra muito qualificada, muito especializada. Então, precisamos dar oportunidade aos profissionais para que tenhamos mão de obra firme aqui no Brasil, para que não precisemos que importar profissionais”, afirmou.
De acordo com Siqueira Filho, o Plano Nacional de Inclusão Digital inclui iniciativas de capacitação para a camada de menor renda da população. Em paralelo, há conversas com o Ministério da Educação e com as universidades, para que cursos profissionalizantes sejam oferecidos na área de data centers e tecnologia da informação.
Fonte: Valor Econômico
Perguntas frequentes
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