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Com faturamento acima de R$ 37 milhões, Tensoflex quer um terço do mercado nacional de telas tensionadas

Compostas por materiais flexíveis e em geral translúcidos, as telas tensionadas vêm ganhando cada vez mais espaço em projetos de…

Compostas por materiais flexíveis e em geral translúcidos, as telas tensionadas vêm ganhando cada vez mais espaço em projetos de arquitetura e iluminação de interiores, em residências ou empresas. O aumento da demanda pelo material tem favorecido a expansão de fabricantes de médio porte, como é o caso da Tensoflex. No ano passado, a empresa alcançou o faturamento de R$ 37,3 milhões, volume praticamente três vezes maior ao registrado em 2023 (R$ 13 milhões).
Com unidades no Rio de Janeiro e São Paulo, a Tensoflex atende diariamente de 12 a 15 projetos de todo o território nacional. Direcionados para os segmentos de arquitetura, comunicação visual e acústica, os projetos desenvolvidos pela Tensoflex com filmes plásticos flexíveis de alta memória molecular e recursos antichamas também estão presentes no Peru, no Chile, no Equador, no Paraguai e nos Estados Unidos.
À frente da operação da Tensoflex, Henrique Bergson diz que o mercado de telas tensionadas no Brasil movimenta cerca de 100 mil metros quadrados por ano. A meta do executivo é deter aproximadamente um terço deste volume. “O Brasil seguiu um caminho que é um pouco diferente do que você vê no resto do mundo. A gente foi criando os nossos próprios ‘pulos do gato’ aqui”, diz Bergson.
Na visão do executivo, para avançar no segmento de telas tensionadas, é preciso investir em inovação e ser criativo. “Não faça commodities, não torne suas soluções uma coisa convencional. O bacana da Tensoflex é fazer aquilo que muitas vezes é difícil, aquilo que o arquiteto imagina que não é possível fazer”, observa.
Fundada em 1999 como representante exclusiva da marca francesa Barrisol no Brasil, a Tensoflex operava, na época, em um modelo de importação de itens prontos. Os produtos eram comprados da Argentina ou da Europa. O negócio foi adquirindo outro perfil a partir da atuação de Bergson como consultor. Com a chegada de Bergson, que trabalhou muitos anos no mercado de plásticos, a empresa começou a investir na fabricação. A mudança também priorizou investimentos em inovação tecnológica.
Mudança de gestão
Bergson identificou que o modelo de negócio da empresa, baseado em importações, era incompatível com as demandas do varejo brasileiro, por exigir prazos de execução curtos. “Qualquer fosse o projeto, trazer as telas sob medida da Argentina ou da Europa era algo que não funcionava para o Brasil”, explica o executivo, citando atrasos aduaneiros e contratempos logísticos que comprometiam obras rápidas.
No início dos anos 2000, o executivo lembra que as indústrias tradicionais de iluminação tinham dificuldades com peças de grandes dimensões (como luminárias de 1,20m x 1,20m) devido ao peso e à deformação do acrílico. Bergson viu na tela tensionada a solução ideal para grandes panos de luz sem emendas, explorando dimensões que a indústria convencional não alcançava.
O empreendedor ressalta que, enquanto os mercados da Europa e dos EUA usavam a tela tensionada para rebaixamento de teto, no Brasil, o mercado era 80% a 90% voltado para iluminação. Essa característica permitiu ao negócio desenvolver tecnologias e perfis próprios para esse nicho específico.
A mudança definitiva do perfil da empresa ocorreu em 2006, com o lançamento da marca própria Tensoflex. Bergson acionou seus contatos na Europa para localizar as indústrias fornecedoras dos filmes de PVC e passou a importar apenas as bobinas, matéria-prima das telas tensionadas, iniciando a produção local dos produtos. Essa autonomia e versatilidade permitiu àTensoflex desenvolver projetos para grandes empresas, como o stand institucional da Petrobras na edição de 2006 da Rio Oil & Gas, realizada no Riocentro, no Rio de Janeiro.
Atualmente a Tensoflex concentra todos os processos de fabricação em uma unidade de 950 metros quadrados, instalada em Bonsucesso, Zona Norte do Rio de Janeiro. A planta é voltada exclusivamente para a produção de telas tensionadas e impressões de comunicação visual. Em São Paulo, no bairro Socorro, está o centro logístico, com cerca de 500 metros quadrados. Essa unidade coordena a distribuição de perfis de alumínio e a produção de peças especiais, como acabamento de luminárias padronizadas, incluindo a instalação de fitas de LED e fontes eletrônicas.
Tecnologia brasileira na internacionalização
Há seis anos, a Tensoflex iniciou seu processo de internacionalização com a abertura de unidades que têm autonomia operacional, mas seguem o padrão tecnológico brasileiro. Em 2020, a empresa implantou uma unidade de vendas e produção em Lima, no Peru. A partir dessa base, a empresa atende países de língua espanhola, como Chile, Equador e Paraguai.
Em 2023, a empresa inaugurou o braço dos Estados Unidos, com uma unidade em Orlando, na Flórida. Com galpão próprio para estoque de perfis de alumínio e bobinas, essa unidade já executou projetos em Michigan e em Miami. Bergson ressalta que, embora as unidades em Lima e Orlando sejam independentes e consigam produzir formatos convencionais (quadrados, retângulos e círculos) localmente, elas contam com o suporte tecnológico da fábrica do Rio de Janeiro.
Como as unidades internacionais ainda não possuem impressoras de grande formato, as telas impressas (como as feitas para as lojas da marca de moda praia VIX, na Flórida) são fabricadas e enviadas diretamente do Rio de Janeiro. Segundo Bergson, a fábrica brasileira enviou telas complexas para uma concessionária BYD em Assunção, no Paraguai, pois apenas a unidade carioca detinha a expertise e o maquinário para tal execução.

Fonte: Valor Empresas

Perguntas frequentes

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Sofia Brandt

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