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Avanço da IA exige data center mais robusto

Aumento na capacidade de processamento, maior demanda energética e refrigeração líquida. Com o avanço da inteligência artificial generativa, uma nova…

Aumento na capacidade de processamento, maior demanda energética e refrigeração líquida. Com o avanço da inteligência artificial generativa, uma nova configuração de data centers é necessária para comportar as milhares de unidades de processamento gráfico (GPUs). Mudam ainda as especificações das redes de telecomunicações e a configuração física do local. Em vez do tradicional piso elevado dos data centers para CPUs (unidades centrais de processamento), os racks (armários onde ficam os equipamentos) para IA podem pesar acima de 1 tonelada e, por isso, se apoiam diretamente no solo.
“O CEO da Nvidia [Jensen Huang] cunhou o termo AI Factory, reforçando a ideia de que data centers de IA são superlativos e merecem ser olhados como uma categoria própria”, resume Agostinho Villela, diretor-executivo de tecnologia da Scala Data Centers. “Chamar de AI Factory é muito apropriado para marcar que são duas ordens de grandeza e reforçar o objetivo final de produzir tokens, porque a economia de IA gira em torno de quem produz token mais barato”, completa.
Os tokens são as menores unidades de texto processadas pela inteligência artificial – podem ser palavras, partes de palavras ou sinais de pontuação. Quanto mais tokens um modelo de IA consegue gerar por segundo e com menor custo computacional, mais eficiente ele tende a ser.
Nos cálculos dos executivos ouvidos pela reportagem, enquanto racks para computação em nuvem consomem entre 5 kW a 40 kW de potência, para IA, eles giram em torno de 100 kW. “Para computação em nuvem, a densidade de kilowatts por racks cresceu ao longo dos anos e estagnou nos 25 kW/rack em média. A IA ainda está na curva ascendente e, hoje, o rack pode ir de 50 kW até 1.250 kW. Isso causa grande impacto na disponibilidade de infraestrutura que terei de fornecer ao cliente”, afirma Fernando Madureira, diretor de engenharia, design e expansão da Elea.
Mundialmente, a empresa de consultoria de pesquisas Gartner projeta crescimento de 27% na demanda global de energia dos centros de processamento de dados (CPDs) em 2026, atingindo 132 gigawatts (GW), ante 104 GW no ano passado. Até 2030 essa demanda deve alcançar 290 GW. A consultoria estima ainda que a adoção de servidores otimizados para IA represente 31% do consumo de energia dos data centers em 2026 e que, até 2027, supere a dos servidores convencionais.
Data centers de IA são superlativos e merecem ser olhados como uma categoria própria”
Em vez do tradicional sistema de movimentação de ar, data centers de IA estão apostando na refrigeração líquida, principalmente, a tecnologia pela qual o líquido resfria diretamente os chips. No que se refere a telecomunicações, prevalece no treinamento de IA a maior largura de banda, em vez da baixa latência dos data centers de nuvem.
Diante desse cenário, fornecedores como Scala, Elea, Ascenty e RT-One anunciaram lançamentos de centros de dados exclusivos para as cargas de inteligência artificial generativa. Contudo, como observa Rafael Astuto, diretor de engenharia de vendas da Ascenty, não se trata de uma substituição e, sim, da coexistência entre os diferentes modelos.
“A IA vai responder por, pelo menos, metade do crescimento no mundo de 100 GW em cinco anos, sendo que da metade da IA, 80% vai ser inferência e 20%, treinamento”, calcula Villela, da Scala. Ele acrescenta que o Brasil tem hoje entre 850 megawatts e 1 GW, enquanto mundialmente a capacidade instalada vai de 70 GW a 100 GW.
Em 2024, a Scala Data Centers assinou acordo com governo do Rio Grande do Sul para construção de uma “cidade de data centers” em Eldorado do Sul, com investimento inicial de cerca de R$ 3 bilhões e capacidade inicial de TI de 54 MW. Em 2025, o Ministério de Minas e Energia (MME) autorizou a conexão de rampa de 5 GW ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e, neste ano, a Eletronet divulgou que implantará um Ponto de Presença (PoP) no local.
Na conta de que para cada dólar investido pela empresa de infraestrutura, mais quatro são alocados pelos clientes, a projeção para Scala AI City pode chegar a um montante total de US$ 200 bilhões na capacidade total. O projeto começou com uma varredura no grid brasileiro em busca de capacidade ociosa de energia elétrica e, segundo Villela, avança segundo esperado no cronograma.
No Rio de Janeiro, a Elea Data Centers vai transformar a região do Parque Olímpico, em Jacarepaguá, na Rio AI City, com capacidade inicial de 1,5 GW – potencial de expansão para até 3,2 GW – e preparada para atender a demandas de IA e computação em nuvem. O estágio atual é de contratação de subestação para 250 megawatts e de conversas com possíveis clientes.
Com a entrada do fundo americano de infraestrutura I Squared Capital, a Elea projeta aporte de R$ 2,5 bilhões no curto prazo e uma expansão estimada em US$ 10 bilhões nos próximos anos; não só para Rio AI City, mas também para ampliação de outros data centers.
A Ascenty divulgou a construção de quatro novos data centers preparados para IA, somando 150 MW e investimentos de US$ 1,2 bilhão, um aporte impulsionado por contratos recentemente firmados com empresas globais de tecnologia. O primeiro será em Sumaré (SP), com previsão de entrega em 2027. “Será 100% liquid cooling [refrigeração líquida]. Queremos mostrar a nossa capacidade em entregar data centers com esse nível de tecnologia e engenharia e que o Brasil é um excelente mercado para suportar a demanda crescente de data center de IA e neoclouds [nuvens sob medida para IA]”, diz Astuto.
Com um modelo diferente, a RT-One ofertará GPU como serviço em um projeto com potencial de investimentos de R$ 6 bilhões, sendo R$ 1,7 bilhão na primeira fase. A empresa analisa localidades no Paraná e em Minas Gerais. Diferentemente do modelo de “colocation”, em que as empresas “recheiam” o data center com seus servidores, a RT-One foca em desenvolver um campus de inteligência artificial.
“Somos neocloud, temos nossa própria capacidade de processamento com foco em inteligência artificial e segurança cibernética, fazendo o processamento disso, não aplicação”, afirma Fernando Palamone, CEO da RT-One. O executivo diz que, ainda neste ano, lançará um centro de processamento bem pequeno em comparação com o plano, com a primeira instalação entre 5 MW e 10 MW.
Os data centers focados em IA estão sendo construídos no mundo para responder a uma necessidade existente. “Hoje, está concentrado nos Estados Unidos, pela política do [presidente Donald] Trump de ‘America First’ para manter os investimentos lá. Minha percepção é que os EUA vão ter que escoar isso para algum lugar e, quando você faz análise técnica e geopolítica, um dos favoritos é o Brasil”, aponta Madureira, da Elea.
Palamone aposta na demanda reprimida do Brasil, cujo processamento vem se dando fora do país. “É mais de 1 GW de processamento. Esperamos um crescimento muito grande e acelerado em função da inteligência artificial. A necessidade de processamento somente para o Brasil vai crescer em 3,5 GW nos próximos cinco anos”, ressalta o CEO da RT-One.

Fonte: Valor Empresas

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Avanço da IA exige data center mais robusto”?
Aumento na capacidade de processamento, maior demanda energética e refrigeração líquida. Com o avanço da inteligência artificial generativa, uma nova configuração de data centers é necessária para comportar as milhares de unidades de processamento gráfico (GPUs).…
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Sofia Brandt

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