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Veja cinco conclusões das eleições regionais na Alemanha
As eleições realizadas no domingo em dois Estados alemães resultaram em fortes perdas para a União Democrata-Cristã (CDU), principal força…

As eleições realizadas no domingo em dois Estados alemães resultaram em fortes perdas para a União Democrata-Cristã (CDU), principal força conservadora do país, enquanto o primeiro-ministro Friedrich Merz enfrenta pressão para conter o avanço do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD).
Veja, a seguir, cinco conclusões das eleições regionais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, e na capital, Berlim.
O primeiro-ministro da Alemanha e líder da União Democrata-Cristã (CDU), Friedrich Merz, caminha para participar de uma entrevista coletiva após as eleições estaduais, em Berlim, na Alemanha, em 21 de setembro de 2026
REUTERS/Annegret Hilse
Merz está enfraquecido, mas (ainda) não foi derrubado
Os resultados representam um grande revés para Merz e seu partido, a CDU, que perdeu eleitores para a AfD em um momento de crescente dúvida sobre a capacidade do primeiro-ministro, de 70 anos, de reanimar a economia alemã e reduzir o custo de vida.
Com os menores índices de aprovação de um primeiro-ministro desde o início dos registros, Merz, que classificou o resultado como um “desastre”, está sob pressão para entregar as reformas prometidas, enquanto aumentam os pedidos para que renuncie após menos de 17 meses no cargo.
Embora Merz tenha indicado que permanecerá no cargo e dará continuidade à sua agenda de reformas, as derrotas de domingo levantam dúvidas sobre sua posição dentro da CDU, cujo resultado em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental foi o pior do partido em qualquer eleição estadual desde 1949.
O enfraquecimento de Merz como líder do maior e mais poderoso país da União Europeia pode prejudicar a unidade do bloco, onde partidos de ultradireita continuam avançando em um momento de significativo esfriamento das relações com os Estados Unidos e de intensificação das pressões econômicas.
AfD consolida posição de liderança
A AfD avançou significativamente nos dois Estados e tornou-se o maior partido em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, onde mais que dobrou seu resultado em relação a 2021.
Esta é a segunda vez em duas semanas que a AfD conquista a maior parcela dos votos em uma eleição estadual na Alemanha, depois de vencer na Saxônia-Anhalt no início deste mês, ampliando seu impulso antes das eleições federais previstas para 2029.
A AfD, que já aparece como o maior partido nas pesquisas nacionais, com 29%, conquistou apoio com promessas de medidas duras para deportar estrangeiros sem direito de permanecer na Alemanha, além de defender a retomada da energia russa barata e valores mais conservadores centrados no modelo tradicional de família.
Os outros grandes partidos, porém, rejeitam formar coalizões com a AfD como parte de uma estratégia de “cordão sanitário”, o que torna improvável que o partido governe em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental ou em Berlim, onde ficou em terceiro lugar.
líder da Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel, olha para cima durante entrevista coletiva do partido em Berlim, na Alemanha, após as eleições estaduais realizadas no dia anterior em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, em 21 de setembro de 2026
AP/Ebrahim Noroozi
Formação de coalizões está cada vez mais difícil
À medida que a AfD ganha força e os votos se distribuem entre um número maior de partidos, torna-se mais difícil construir maiorias estáveis. Resultados preliminares mostram que um futuro governo em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental precisaria reunir três partidos para funcionar.
Essa fragmentação exigirá maior disposição para fazer concessões em um país tradicionalmente governado por coalizões de dois partidos. Uma coalizão tripartite conhecida como “semáforo”, formada em 2021 — a primeira desse tipo no âmbito federal —, desmoronou após menos de três anos.
A estratégia do cordão sanitário até agora manteve a AfD fora do poder, mas a ampliação do apelo do partido entre os eleitores levantou dúvidas sobre a viabilidade dessa estratégia.
Essas mudanças estão obrigando os adversários da AfD a explorar outras configurações de coalizão. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a opção mais provável parece ser que o Partido Social-Democrata (SPD), que ficou em segundo lugar, acrescente os Verdes à coalizão que já mantém com o partido A Esquerda.
Em Berlim, o vitorioso A Esquerda poderia formar uma maioria com o SPD e os Verdes.
Ansiedade econômica se reflete nas urnas
A fraqueza da economia alemã está se tornando um fator decisivo nas urnas, com eleitores de diferentes posições políticas frustrados com o alto custo de vida e a incerteza econômica.
As campanhas nos dois Estados ocorreram em meio à disparada dos preços dos combustíveis ligada ao conflito no Oriente Médio e a dezenas de milhares de novos cortes de empregos na indústria alemã. Anos de estagnação econômica levaram alguns eleitores a buscar alternativas fora do centro político.
Em Berlim, o partido A Esquerda encontrou receptividade ao concentrar sua campanha na escassez de moradias na cidade, prometendo construir novas habitações a preços acessíveis, reduzir compulsoriamente os aluguéis de imóveis cujos valores estejam 20% ou mais acima da média local e restringir os aluguéis por temporada.
A AfD conquistou apoio com uma proposta de reativar o gasoduto Nord Stream, que transportava gás da Rússia e termina em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. O partido afirma que a retomada do gasoduto com gás russo reduziria os custos de energia.
A principal candidata do partido A Esquerda (Die Linke), Elif Eralp, chega para um debate televisionado após a divulgação das primeiras pesquisas de boca de urna das eleições estaduais de Berlim, na Alemanha, em 20 de setembro de 2026
REUTERS/Liesa Johannssen
Eleitores se afastam do centro político
O partido de esquerda radical A Esquerda também registrou fortes ganhos, à medida que eleitores insatisfeitos se afastaram dos partidos tradicionais.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, A Esquerda conquistou 28 mil eleitores que anteriormente votavam na conservadora CDU de Merz e 45 mil que votavam no SPD, de centro-esquerda, segundo pesquisa do instituto Infratest Dimap para a emissora ARD.
Os números ilustram o crescente apelo do partido entre a base operária tradicional do SPD.
A primeira-ministra de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Manuela Schwesig, do SPD, afirmou que a oposição à ajuda à Ucrânia e o apoio ao desativado gasoduto Nord Stream com a Rússia foram dois dos motivos pelos quais eleitores dessa região da antiga Alemanha Oriental migraram para a AfD, considerada favorável à Rússia.
Em Berlim, o SPD perdeu cerca de 36 mil eleitores para A Esquerda, segundo os dados preliminares. Os Verdes, que frequentemente desempenham papel decisivo na formação de coalizões na política alemã, perderam 51 mil eleitores para o partido.
Fonte: Valor Econômico
Perguntas frequentes
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