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Tarcísio encerra campanha na capital ao lado de Nunes, que fala em 'pá de cal' em Haddad
Governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas participa de ato de campanha no centro de São Paulo. Ao seu…

Governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas participa de ato de campanha no centro de São Paulo. Ao seu lado, o prefeito Ricardo Nunes (à esq.)
Joelmir Tavares/Valor
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez seu último ato de campanha na capital paulista hoje ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Durante caminhada com apoiadores em frente à prefeitura, Nunes usou o microfone para criticar o candidato a governador do PT, Fernando Haddad, que foi prefeito da capital entre 2013 e 2016.
“Além de eleger o Tarcísio no primeiro turno, também [devemos] colocar uma pá de cal no pior prefeito que a cidade já teve, que, quando foi candidato à sua reeleição, perdeu para votos brancos e nulos. São Paulo dá uma resposta de que não aceita incompetência”, discursou Nunes. A agenda, realizada na hora do almoço, teve a participação de servidores públicos e de integrantes dos secretariados municipal e estadual.
Haddad ficou em segundo lugar na eleição de 2016, com 967 mil votos, enquanto em brancos e nulos somaram 1,1 milhão. João Doria (PSDB) ganhou no primeiro turno, com 3 milhões de votos.
Tarcísio tem a possibilidade de vencer já no turno de domingo (4), segundo as pesquisas. No levantamento divulgado pelo Datafolha ontem, o governador alcançou 50% das intenções de votos no primeiro turno, ante 33% de Haddad. Considerados apenas os votos válidos (que excluem brancos e nulos), o governador alcança 56%, patamar suficiente para encerrar a eleição no domingo, contra 37% do petista.
Integrantes da campanha demonstraram otimismo com o resultado durante a caminhada e avaliaram que o favoritismo de Tarcísio deve beneficiar no Estado a votação de Flávio Bolsonaro (PL) para presidente da República. O governador e o presidenciável têm uma carreata marcada para amanhã, como ato final das respectivas campanhas, saindo de Santa Bárbara d’Oeste até Americana, na região de Campinas (SP).
Em entrevista a jornalistas no local, Tarcísio confirmou que está disposto a viajar para fora de São Paulo para fazer campanha por Flávio em eventual segundo turno. Além de falas ao longo do percurso contra a possibilidade de vitória de candidatos ligados ao PT no Estado, aliados também defenderam o voto em Flávio na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Se acontecer de realmente encerrar a disputa em São Paulo no domingo, eu vou estar — e estaria também de qualquer forma, mesmo que não encerrasse — à disposição do Flávio para ajudá-lo muito no segundo turno, aqui em São Paulo e até fora do Estado”, disse o governador. Enquanto ele respondia aos jornalistas, uma mulher se aproximou gritando em protesto contra a privatização da Sabesp, mas logo se retirou.
‘Barba e cabelo’
A caminhada percorreu o viaduto do Chá, na região central de São Paulo, entre a praça do Patriarca e o Theatro Municipal. Segundo Tarcísio, o lugar foi escolhido por simbolizar a parceria de seu governo com a administração de Ricardo Nunes e a relação que procurou desenvolver com as demais prefeituras do Estado. O emedebista tem sido um dos principais cabos eleitorais de Tarcísio e Flávio na região metropolitana.
Nunes também destacou o trabalho com o governador em programas de áreas como habitação e mobilidade, além de elogiá-lo por “ter as contas do Estado em dia”. Postulantes a deputado de siglas da coligação e o candidato do PL ao Senado, o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado, participaram da caminhada.
Um dos presentes foi o deputado federal Mario Frias (PL), candidato à reeleição e investigado pela Polícia Federal sob a suspeita de desvios de emendas parlamentares por meio de ONGs ligadas à produção do filme “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Frias não discursou, mas circulou pela multidão e abraçou Tarcísio e Nunes.
O secretário municipal de Governo, Edson Aparecido, acompanhou Nunes nas críticas a Haddad, dizendo que “mais uma vez São Paulo vai dizer que aqui o PT não tem vez”. Ele citou Flávio e os candidatos da coligação para os cargos de deputado estadual, deputado federal e senador.
“Nós vamos ganhar, nós vamos fazer barba e cabelo”, afirmou Aparecido, defendendo a continuidade do “trabalho conjunto” entre Tarcísio e Nunes a partir de 2027. “Vamos dar uma resposta. Vamos mostrar para o Brasil que São Paulo não quer o PT, não quer Lula. São Paulo quer Tarcísio, quer Ricardo e quer os nossos quadros.”
A equipe de Tarcísio chegou a divulgar que ele teria outras duas agendas de rua na tarde desta sexta, mas os eventos foram cancelados. Auxiliares avaliaram que manter os outros dois eventos criaria uma sobrecarga desnecessária neste momento e o aconselharam a se concentrar na caminhada nos arredores da prefeitura. Ele chegou ao local por volta das 12h30 e saiu já perto das 14h.
Debate cancelado
Questionado sobre o cancelamento do debate da TV Globo com candidatos à Presidência, Tarcísio criticou as “intervenções do Judiciário” e disse que “o eleitor foi o grande prejudicado”. Segundo ele, o episódio deve levar a uma “reflexão” sobre abusos e deveria servir de alerta para a necessidade de autocontenção.
“Quando as intervenções do Judiciário afetam o debate público, acabam interferindo no debate público, a gente tem um problema que é sério. A gente precisa refletir sobre isso, porque era a última oportunidade para que projetos fossem colocados sobre a mesa, para discutir problemas e oportunidades”, disse.
Para o governador, o Judiciário saiu descredibilizado “por conta do próprio Judiciário, e isso é muito grave”. Ele cobrou responsabilidade dos magistrados e disse que deveriam “estar adstritos aos limites impostos pela própria lei, e não é [isso] o que está acontecendo”. Tarcísio fez uma analogia com um jogo de futebol e afirmou que há um problema quando o árbitro quer aparecer mais que os jogadores. “É pior ainda quando o juiz quer interferir no resultado da partida”, concluiu, sem citar nomes.
Fonte: Valor Econômico
Perguntas frequentes
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