INTERNACIONAL
Rússia afirma que conversas com enviados dos EUA sobre Ucrânia foram úteis
O presidente russo, Vladimir Putin, manteve conversas “altamente úteis” de mais de três horas no sábado com dois enviados dos…

O presidente russo, Vladimir Putin, manteve conversas “altamente úteis” de mais de três horas no sábado com dois enviados dos EUA que buscavam um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia, disse um assessor do Kremlin, mas não houve indicação de qualquer avanço significativo.
O assessor, Yuri Ushakov, disse que os americanos Ste Witkoff e Jared Kushner “apresentaram várias ideias sobre possíveis caminhos para um acordo”. Ushakov não revelou quais eram essas ideias.
Ele afirmou que Putin disse à dupla que a Rússia estava fazendo “progresso real” no campo de batalha e estava confiante em alcançar seus objetivos, além de ressaltar a necessidade de abordar “todas as causas fundamentais do conflito”.
Essas são declarações que Moscou tem feito repetidamente ao longo da guerra, que já dura mais de quatro anos e meio e viu ambos os lados intensificarem ataques aéreos de longo alcance nas últimas semanas, enquanto as linhas de frente permanecem praticamente estáticas.
Não houve comentários de Witkoff e Kushner, que visitavam Moscou pela primeira vez desde janeiro em nome do presidente Donald Trump. Eles deixaram Moscou logo após as conversas e devem se reunir com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Kiev, no domingo.
“As conversas foram além de uma simples troca de pontos de vista sobre a resolução da crise ucraniana. Questões econômicas e potenciais grandes projetos russo-americanos mutuamente benéficos foram discutidos com certo detalhe”, disse Ushakov.
“No geral, pode-se dizer que as negociações foram oportunas e altamente úteis para ambos os lados.”
O enviado de Putin, Kirill Dmitriev, publicou posteriormente na rede social X que aquela havia sido uma “importante visita em prol da paz”. Tanto ele quanto Ushakov estiveram presentes na reunião.
Putin elogia esforços de Trump
Em declarações transmitidas pela televisão no início das conversas, Putin elogiou os esforços de Trump para encerrar a guerra. Trump sugeriu na sexta-feira que os EUA tinham uma nova proposta destinada a acabar com o conflito, mas não deu detalhes.
“Compreendendo que ele [Trump] está entrando em uma situação difícil, ele, no entanto, não interrompe seus esforços para ajudar a alcançar um acordo e dar sua contribuição para a resolução do conflito russo-ucraniano”, disse Putin.
O líder russo prometeu garantir a segurança dos negociadores americanos. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse anteriormente que Putin havia ordenado às forças armadas russas que não atacassem Kiev por três dias devido à viagem.
Nos 10 dias anteriores, a Rússia havia bombardeado a capital ucraniana dia e noite com mísseis e drones, incluindo um ataque na sexta-feira à sede do serviço de segurança SBU.
A Ucrânia desferiu golpes prejudiciais ao longo do verão contra refinarias, terminais de petróleo e armazéns da varejista online Wildberries, todos russos, em uma tentativa de aumentar o custo para Moscou da continuidade da guerra. Zelensky disse que Kiev estava disposta a se abster de ataques a Moscou até segunda-feira.
Posições na guerra
Permanece um enorme abismo entre a Rússia e a Ucrânia sobre como encerrar a guerra, a mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Uma fonte próxima ao Kremlin, falando antes de surgirem relatos sobre a viagem dos enviados de Trump, disse que Putin ainda estava determinado a conquistar mais território.
“Não há chance de chegar a um acordo sobre a linha de frente até que Putin termine de assegurar a parte restante da região de Donetsk”, disse a fonte à Reuters, acrescentando que o líder do Kremlin estava confiante — com base em relatórios de seus comandantes — de que isso aconteceria até o final do ano.
Analistas militares ocidentais consideram essa possibilidade remota, dado o ritmo lento de avanço de Moscou. A Ucrânia recusou-se a ceder terras que defendeu com sucesso a um custo enorme e rejeita tais termos, considerando-os equivalentes a uma rendição.
O Kremlin afirmou na sexta-feira que a posição exposta por Putin em um discurso há dois anos — de que a Ucrânia deveria ceder todo o território de quatro regiões reivindicadas pela Rússia e abandonar seu plano de ingressar na Otan — era “inalterável”.
Desde as últimas negociações de paz mediadas pelos EUA entre a Rússia e a Ucrânia, em fevereiro, ambos os lados intensificaram ataques aéreos de longo alcance em profundidade no território do outro, ao mesmo tempo em que a guerra no mar também se intensificou.
Fonte: Valor Econômico
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