AGRONEGÓCIO · COMMODITIES AGRÍCOLAS

Primeiro biofungicida brasileiro 100% à base de metabólitos é registrado para soja

Foto: Carina Gomes/Embrapa O registro comercial do primeiro fungicida 100% à base de metabólitos desenvolvido no país acaba de ser…

Foto: Carina Gomes/Embrapa

O registro comercial do primeiro fungicida 100% à base de metabólitos desenvolvido no país acaba de ser anunciado pela Bioma.

A categoria desse tipo de defensivo baseada estritamente no tipo de molécula isolada era dominada por soluções estrangeiras, mesmo com o país tendo avançado no desenvolvimento de produtos microbiológicos formulados com fungos e bactérias vivos.

A tecnologia nacional, batizada de Metabolic Protection, foi registrada para o manejo da antracnose, causada por Colletotrichum truncatum, e da mancha-alvo, provocada por Corynespora cassiicola, duas das principais doenças da soja.

O novo produto é resultado de cinco anos de pesquisas conduzidas dentro da Cogny, maior ecossistema de bioinsumos do mundo. Já a concepção científica e tecnológica foi liderada pela Orygen, empresa de Pesquisa & Desenvolvimento do grupo.

A Bioma, por sua vez, conduziu a estratégia de desenvolvimento, registro e disponibilização da solução ao mercado, prevista para começar em breve, sem data oficial anunciada até o momento.

Mercado bilionário

Os fungicidas movimentaram cerca de US$ 6,5 bilhões no Brasil em 2025, representando 32% dos US$ 20,2 bilhões registrados pelo mercado de defensivos agrícolas, conforme levantamento da Kynetec Brasil divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

A categoria respondeu ainda por 466 mil toneladas, ou 26% do volume total de 1,79 milhão de toneladas de produtos aplicados nas lavouras brasileiras.

Entre os biológicos, os biofungicidas foram a categoria com maior expansão em valor em 2025. O faturamento avançou 41% e atingiu R$ 1,4 bilhão, enquanto a área tratada alcançou 26 milhões de hectares, crescimento de 37% sobre o ano anterior, de acordo com o CropData, plataforma da CropLife Brasil.

Para o diretor de Pesquisa da Orygen, Artur Soares, o registro da nova tecnologia demonstra a capacidade da ciência brasileira de desenvolver tecnologias inéditas e transformá-las em soluções de alto impacto para o produtor rural.

Ele salienta que a inovação chega ao campo em um ambiente internacional pressionado por conflitos geopolíticos, oscilações cambiais e incertezas nas cadeias de abastecimento. Entre janeiro e maio de 2026, as importações brasileiras de defensivos químicos somaram US$ 4,28 bilhões, segundo o CropData, volume que reforça a exposição da agricultura nacional ao mercado externo.

Formulado com blend de 40 metabólitos

O novo fungicida utiliza uma metodologia proprietária capaz de estimular a expressão de genes específicos dos microrganismos responsáveis pela produção dos compostos de interesse agronômico. Com isso, o processo resulta em um blend formado por cerca de 40 metabólitos.

Segundo a Bioma, mais de 20 deles apresentam ação direta contra os fungos, enquanto outros 17 induzem os mecanismos naturais de defesa da planta.

“A combinação de diferentes moléculas e mecanismos de ação responde a um dos principais desafios do manejo fitossanitário da soja, que é a perda gradual de eficácia de parte dos fungicidas químicos em razão da resistência desenvolvida pelos patógenos após aplicações sucessivas de produtos com mecanismos semelhantes”, diz Soares.

Segundo o pesquisador, antracnose e mancha-alvo estão entre as doenças foliares mais relevantes da cultura e podem provocar perdas de produtividade de até 40% em cultivares suscetíveis e sob condições favoráveis à disseminação dos fungos.

A pesquisa mostrou que a incorporação de moléculas de origem biológica aos programas convencionais amplia a diversidade de mecanismos utilizados contra os patógenos e contribui para reduzir a pressão de seleção sobre eles.

Ao longo dos cinco anos de pesquisa, o biofungicida foi avaliado em mais de 50 regiões produtoras do Brasil, sob diferentes condições climáticas, sistemas de manejo e níveis de pressão das doenças.

Soares pontua que os testes analisaram tanto a eficiência no controle dos patógenos quanto a integração da tecnologia aos programas já utilizados pelos agricultores.

O post Primeiro biofungicida brasileiro 100% à base de metabólitos é registrado para soja apareceu primeiro em Canal Rural.

Fonte: Canal Rural

Perguntas frequentes

Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.

Sobre o que trata “Primeiro biofungicida brasileiro 100% à base de metabólitos é registrado…”?
Foto: Carina Gomes/Embrapa O registro comercial do primeiro fungicida 100% à base de metabólitos desenvolvido no país acaba de ser anunciado pela Bioma. A categoria desse tipo de defensivo baseada estritamente no tipo de molécula isolada…
O que a matéria explica sobre “Mercado bilionário”?
Os fungicidas movimentaram cerca de US$ 6,5 bilhões no Brasil em 2025, representando 32% dos US$ 20,2 bilhões registrados pelo mercado de defensivos agrícolas, conforme levantamento da Kynetec Brasil divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg). A…
O que a matéria explica sobre “Formulado com blend de 40 metabólitos”?
O novo fungicida utiliza uma metodologia proprietária capaz de estimular a expressão de genes específicos dos microrganismos responsáveis pela produção dos compostos de interesse agronômico. Com isso, o processo resulta em um blend formado por cerca de 40 metabólitos. Segundo a Bioma,…
Quem edita o conteúdo do Estrato?
A cobertura é produzida e revisada pela equipe editorial do Estrato, com editor-chefe responsável pela linha editorial. Conheça a redação em https://estrato.cc/equipe/.
Quais fontes o Estrato prioriza?
Priorizamos fontes primárias (órgãos oficiais, balanços, estudos revisados, documentos públicos) e cruzamos informações antes da publicação, conforme a política editorial.
Como solicitar correção de uma matéria?
Envie o pedido pela página de Correções (https://estrato.cc/correcoes/) ou Contato (https://estrato.cc/contato/). Erros materiais são corrigidos com registro da atualização.
O conteúdo constitui aconselhamento profissional?
Não. As matérias têm caráter informativo e jornalístico. Decisões financeiras, de saúde, jurídicas ou educacionais devem considerar profissionais habilitados e a sua situação particular.
Onde acompanhar a política editorial do Estrato?
Metodologia, ética e transparência estão em https://estrato.cc/metodologia/, https://estrato.cc/etica-editorial/ e https://estrato.cc/politica-editorial/.
WhatsApp X LinkedIn
Compartilhar: LinkedIn
André Moura

André Moura

André Moura integra a equipe editorial do Estrato, vertical da rede Estrato, na função de Repórter de Economia. O escopo permanente de cobertura inclui política econômica e indicadores, com atenção ao leitor brasileiro que busca contexto factual, datas oficiais e implicações práticas. Na produção diária, prioriza fontes primárias (órgãos públicos, balanços, papers e documentos oficiais), cruza pelo menos duas referências independentes quando o tema é contestado e evita manchetes que prometam certeza onde há incerteza. Critérios de qualidade: lead com o fato principal, atribuição clara de autoria da equipe Estrato, atualização com selo quando há mudança material e linguagem acessível sem simplificar demais o risco ou o contexto. Trabalha sob revisão da mesa editorial e do editor-chefe do portal. Matérias YMYL recebem segunda leitura antes da publicação e podem ser atualizadas quando surgem novos dados oficiais. Limites: este perfil descreve o papel editorial na marca Estrato. O conteúdo publicado é informativo e não constitui aconselhamento médico, financeiro, jurídico ou profissional personalizado. Transparência ao leitor: metodologia em /metodologia/, ética em /etica-editorial/, correções em /correcoes/, equipe em /equipe/ e canal em /contato/ ([email protected]). Na página-mãe da rede, a bio ampliada e o arquivo de matérias ficam em estrato.cc/blog/, com link para o arquivo do autor em cada portal.

Deixe um comentário