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Inflação da construção acelera no mundo, mas cai no Brasil, mostra pesquisa

Um estudo da companhia de gerenciamento de projetos Turner & Townsend, com 112 cidades de 44 países, mostra que a…

Um estudo da companhia de gerenciamento de projetos Turner & Townsend, com 112 cidades de 44 países, mostra que a inflação de custos para a construção deve acelerar no mundo em 2026, passando de 4,2% em 2025 para 4,5% neste ano. Já para as cidades brasileiras analisadas pela pesquisa, São Paulo e Rio de Janeiro, está prevista uma desaceleração.
São Paulo e Rio tiveram altas de 5,6% em 2025, acima do patamar global, mas para este ano são esperados aumentos de 2,7%, menos da metade do valor anterior. A desaceleração deve continuar na capital paulista, com previsão de 2,5% de inflação em 2027, enquanto no Rio deve voltar a crescer, para 3% no ano que vem.
A América do Sul apresenta comportamento similar, com desaceleração esperada para este ano, passando de 5,9% em 2025 para 3,7% em 2026, e outra queda prevista para o próximo ano, com inflação de 3,4%.
Já a previsão para a inflação global em 2027 é de 4,4%.
O principal ponto de pressão para a inflação do setor construtivo tem sido a mão de obra. Dos mercados analisados, 77,7% apontam falta de trabalhadores para as obras. Apenas 16% julgam a oferta como balanceada, e menos de 6% afirmam que há oferta abundante de mão de obra.
Mesmo com reclamações constantes da indústria brasileira sobre dificuldades para contratar mão de obra adequada, a América Latina figura na pesquisa como a região que mais sinaliza uma oferta equilibrada, com 60% dos participantes afirmando que a relação está balanceada.
Como contraste, na Europa, 93% apontam falta de mão de obra e na América do Norte o dado chega a 70,6%. Na África, 25% veem excesso de oferta de trabalhadores.
Tudo isso influencia no custo dos funcionários do setor. O mercado mais caro é Nova York, com os trabalhadores custando US$ 161,40 a hora. Como comparação, em São Paulo o custo é de US$ 8,80 por hora, enquanto o Rio fica logo atrás, com US$ 8,50. A região mais barata é Lagos, na Nigéria, cuja hora trabalhada custa US$ 1,20 — apenas 0,74% do preço da mão de obra novaiorquina.
“Os fatores que impulsionam os custos de construção estão se tornando mais localizados, específicos do setor e estruturalmente incorporados, em vez de serem impulsionados por choques na cadeia internacional de suprimentos”, afirma a pesquisa.
A guerra dos Estados Unidos contra o Irã tem afetado o setor de forma indireta, afirma a pesquisa da Turner & Townsend, por meio de aumento no custo de fabricação de materiais e no custo do transporte. A inflação dos materiais de construção ficou, em geral, entre 1% e 5% na maior parte dos mercados, aponta o estudo.
“Embora o relatório deste ano mostre que a escalada dos custos globais de construção está se estabilizando e desacelerando, é improvável que haja um retorno a um cenário de custos mais baixos”, afirma a pesquisa.
O estudo destaca que concreto e materiais de base ficaram estáveis e que houve até queda no preço do aço em alguns mercados. No entanto, materiais que atendem setores de alto crescimento, como o de tecnologia, subiram. “Essa divergência reflete a transição de uma inflação de materiais generalizada para uma pressão sobre os preços impulsionada pela demanda e específica de certos setores, particularmente naqueles tecnicamente complexos”, aponta o levantamento.
A Turner & Townsend faz um ranking de setores com crescimento de demanda para construção, e os data centers passaram a ocupar, neste ano, o topo da lista, ultrapassando o setor de moradia e moradia social, que caiu da primeira para a terceira colocação.
“A demanda arrefeceu nos setores comercial e residencial, que há muito impulsionam os projetos na construção civil, como resultado de custos de financiamento mais elevados e condições de investimento mais cautelosas. Isso resultou em uma desaceleração no início de projetos e em um crescimento mais comedido da carteira de empreendimentos em diversos mercados”, aponta a pesquisa. “O foco das atividades foi deslocado para áreas de crescimento que incluem infraestrutura e setores impulsionados pela tecnologia”, afirma o estudo.
Em rápido crescimento, a área industrial e de logística subiu da quarta para a segunda colocação no ranking de demanda. A pesquisa identifica uma dinâmica de “mercado com duas velocidades”. A demanda por data centers e logística avança rapidamente, o que fomenta uma busca por alternativas no processo construtivo e nos materiais, para aumentar a capacidade de criar novos projetos e acelerar o tempo de produção.
Enquanto isso, áreas-chave da construção, como residencial e comercial, “estão apresentando um ritmo de crescimento mais lento”, e sentindo mais os efeitos de aumento de custo.
Na América Latina, os maiores desafios são a regulação excessiva dos governos, os altos custos de construção, a dificuldade de acessar crédito e a burocracia e os atrasos em aprovações. Mesmo assim, a Turner & Townsend tem uma visão positiva para a região e, especificamente, para o Brasil: “À medida que as condições de financiamento e o cenário macroeconômico, incluindo os níveis das taxas de juros, evoluem de forma favorável, o Brasil está bem posicionado para atrair novos investimentos em projetos estratégicos e reforçar sua posição como um dos principais mercados de crescimento econômico da América Latina”, diz a diretora de gerenciamento de projetos da companhia no país, Kamila Lima.
Cidades mais caras para construir
A Turner & Townsend apontou, ainda, o preço médio, em dólares, para se construir um metro quadrado ao redor do mundo, nos 112 mercados estudados. Estados Unidos, Suíça e Japão concentram as cidades mais caras. Veja os destaques abaixo:
Cidades mais caras para construir
A desaceleração deve continuar na capital paulista, com previsão de 2,5% de inflação em 2027, enquanto no Rio deve voltar a crescer, para 3% no ano que vem
Edilson Dantas / Agencia O Globo

Fonte: Valor Empresas

Perguntas frequentes

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