INTERNACIONAL
Iene cai ao menor nível em quase 40 anos com tensão no Oriente Médio
O iene enfraqueceu em relação ao dólar e atingiu seu menor nível em quase quatro décadas, chegando à faixa de…

O iene enfraqueceu em relação ao dólar e atingiu seu menor nível em quase quatro décadas, chegando à faixa de 163 ienes por dólar, em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e à alta dos preços do petróleo.
A pressão sobre a moeda japonesa ocorre diante da busca dos investidores por ativos considerados mais seguros, como o dólar, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. O mercado também interpreta as recentes medidas do governo da primeira-ministra Sanae Takaichi como um sinal de maior tolerância com um iene mais fraco.
Nas negociações internacionais de terça-feira (21), o iene caiu para a faixa de 163 pela primeira vez desde dezembro de 1986. Na manhã de quarta-feira (22), em Tóquio, a moeda era negociada em queda de 0,4%, a cerca de 163,21 por dólar.
“O par USD/JPY continua sendo negociado próximo das máximas das últimas quatro décadas, apesar do relatório de inflação dos EUA mais fraco divulgado na semana passada”, afirmou Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da empresa global de serviços financeiros Ebury.
Segundo ele, a alta dos preços do petróleo representa um risco para a economia japonesa, que depende fortemente da importação de energia, contribuindo para manter o iene pressionado.
Os preços do petróleo voltaram a subir com o agravamento das tensões no Oriente Médio. Na quarta-feira, os contratos futuros do Brent ultrapassaram US$ 92 por barril, atingindo o maior nível em cerca de seis semanas. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, superou US$ 85 por barril.
Os Estados Unidos realizaram ataques contra o Irã com o objetivo de “degradar ainda mais” sua capacidade de atingir navios no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de energia. O presidente Donald Trump afirmou que Teerã será responsabilizado pelas mortes de soldados americanos e disse que o Irã pagará “muitas vezes mais”.
Com a maior incerteza nos mercados, investidores buscaram o dólar como porto seguro. O receio de novos impactos inflacionários também elevou as expectativas de juros mais altos nos Estados Unidos.
O Índice do Dólar, que mede a força da moeda americana ante outras divisas importantes, permaneceu acima da marca de 100 pontos.
O Japão divulgou nesta quarta-feira seus dados comerciais de junho, que mostraram aumento do déficit pelo segundo mês consecutivo, em razão dos custos elevados das importações de petróleo. A alta da energia amplia a necessidade do país de comprar dólares para pagar fornecedores externos.
Rinto Maruyama, estrategista sênior de juros da SMBC Nikko Securities, destacou as preocupações de que o Banco do Japão (BOJ) esteja ficando atrás de outros grandes bancos centrais no ciclo de alta de juros, além da cautela do mercado com a expansão fiscal e as discussões sobre cortes de impostos.
A queda do iene ganhou força após o gabinete de Takaichi aprovar, na terça-feira (21), o plano anual de política econômica e fiscal do governo. O documento, conhecido como “Honebuto no hoshin”, estabelece diretrizes de longo prazo para estimular o crescimento.
A versão inicial do plano destacava a importância da política monetária e afirmava que o BoJ “deveria coordenar-se estreitamente com o governo”, provocando reação negativa nos mercados diante de preocupações sobre a independência do banco central. Na versão final, os formuladores de políticas incluíram uma referência de que a condução monetária caberia ao BoJ.
Laura Cooper, estrategista global de investimentos e chefe de crédito macro da Nuveen, afirmou que o Japão já tentou diferentes formas de conter a queda do iene, incluindo intervenção cambial, aumento de juros e estímulo para que fundos de pensão públicos ampliem investimentos domésticos.
“Nenhuma medida se mostrou decisiva, e os formuladores de políticas ainda parecem relutantes em ir muito além”, afirmou. Segundo ela, isso mantém os fatores de fragilidade e transfere a pressão de ajuste para o Banco do Japão.
Cooper acrescentou que o BoJ enfrenta uma situação delicada: os fundamentos econômicos indicam espaço para um maior aperto monetário, mas o governo permanece cauteloso com medidas que poderiam fortalecer a moeda de forma mais agressiva.
Para Ryan, da Ebury, o mercado acompanhará nesta semana os dados nacionais de inflação de junho, previstos para sexta-feira, que devem indicar uma leve aceleração das pressões sobre os preços básicos.
“Um resultado mais forte do que o esperado poderia alimentar especulações sobre uma alta de juros pelo Banco do Japão no curto prazo, oferecendo algum suporte ao iene”, disse.
A forte desvalorização da moeda japonesa também aumentou as expectativas de uma possível intervenção cambial.
Maruyama, da SMBC, prevê que o iene continuará enfraquecido gradualmente, embora o risco de intervenção possa limitar a valorização do dólar frente à moeda japonesa.
Segundo ele, uma intervenção poderia provocar uma recuperação expressiva do iene, à medida que investidores desmontassem posições vendidas na moeda. Por isso, alguns participantes do mercado têm mantido posições compradas em dólar acompanhadas de proteção contra a volatilidade.
Fonte: Valor Econômico
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