INTERNACIONAL

Governo Lula critica nova tarifa e acusa os EUA de manipularem tema sobre trabalho análogo à escravidão

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou a decisão dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa…

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou a decisão dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros, como resultado da investigação conduzida contra a importação de bens produzidos com suposto trabalho análogo à escravidão. A gestão petista acusou o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de manipular o tema, sem base legal, “para sustentar sua política comercial protecionista”.

“O governo brasileiro rechaça a decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros em função do resultado da investigação da Seção 301 relativa à proibição de importação relacionadas ao trabalho forçado”, disse a Secretaria de Comunicação Social (Secom) em nota divulgada nesta noite. Como mostrou o Valor no início da tarde, o Palácio do Planalto já havia tido sinalizações dos Estados Unidos sobre a aplicação da taxa ainda hoje.

“Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais”, complementou.

A gestão Lula voltou a acusar os Estados Unidos de “caráter completamente arbitrário e injustificado” ao impor as tarifas contra o Brasil. Com isso, o governo alega que iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, e disse que levará o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Apesar da alegação, internamente, o governo brasileiro vê de forma remota o acionamento da Lei da Reciprocidade. Isso porque o Palácio do Planalto ainda dimensiona os impactos do acionamento da medida. Por ora, a orientação de Lula é que o governo permaneça na mesa de negociação com os Estados Unidos.

Ao longo da nota divulgada, a Secom cita os esforços feitos pelo Brasil até o momento para evitar tal taxação. Ela cita, por exemplo, que o Ministério do Trabalho e Emprego prestou explicações e forneceu documentação sobre a legislação brasileira e da atuação das autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado.

“Somos signatários de 66 Convenções em vigor na OIT. Enquanto os Estados Unidos, que se arrogam o direito de nos julgar e de impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas convenções”, comenta. “Os acordos de livre comércio celebrados pelo Brasil e pelo Mercosul, incluindo com Chile, União Europeia e Associação Europeia de Livre Comércio, contêm compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório e de aplicação efetiva dessas proibições”, emenda.

“Esse compromisso de combate ao comércio internacional de bens relacionados ao trabalho forçado é intensificado pela abordagem multidimensional de nossas políticas domésticas de fiscalização, prevenção, acolhimento pós-resgate das vítimas e combate ao trabalho escravo contemporâneo”, reforça a nota.

A expectativa do governo brasileiro é que a nova taxa de 12,5% seja cumulativa à taxa de 25%, que entrou em vigor nesta quarta-feira (22) pelos Estados Unidos. Isso, portanto, elevaria a alíquota total para 37,5%.

Palácio do Planalto
Agência Brasil

Fonte: Valor Econômico

Perguntas frequentes

Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.

Sobre o que trata “Governo Lula critica nova tarifa e acusa os EUA de…”?
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou a decisão dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros, como resultado da investigação conduzida contra a importação de bens produzidos…
Por que Internacional importa agora?
O tema impacta decisões e debates cotidianos ligados a Internacional. A redação destaca fatos, datas e implicações práticas sem substituir orientação profissional personalizada.
Quem edita o conteúdo do Estrato?
A cobertura é produzida e revisada pela equipe editorial do Estrato, com editor-chefe responsável pela linha editorial. Conheça a redação em https://estrato.cc/equipe/.
Quais fontes o Estrato prioriza?
Priorizamos fontes primárias (órgãos oficiais, balanços, estudos revisados, documentos públicos) e cruzamos informações antes da publicação, conforme a política editorial.
Como solicitar correção de uma matéria?
Envie o pedido pela página de Correções (https://estrato.cc/correcoes/) ou Contato (https://estrato.cc/contato/). Erros materiais são corrigidos com registro da atualização.
O conteúdo constitui aconselhamento profissional?
Não. As matérias têm caráter informativo e jornalístico. Decisões financeiras, de saúde, jurídicas ou educacionais devem considerar profissionais habilitados e a sua situação particular.
Onde acompanhar a política editorial do Estrato?
Metodologia, ética e transparência estão em https://estrato.cc/metodologia/, https://estrato.cc/etica-editorial/ e https://estrato.cc/politica-editorial/.
Como o Estrato trata temas sensíveis (YMYL)?
Temas que afetam dinheiro, saúde e bem-estar recebem revisão editorial reforçada, disclaimer visível e links para páginas institucionais de metodologia e correções. Portal: https://estrato.cc/
WhatsApp X LinkedIn
Compartilhar: LinkedIn
Sofia Brandt

Sofia Brandt

Sofia Brandt integra a equipe editorial do Estrato, vertical da rede Estrato, na função de Repórter de Mercados. O escopo permanente de cobertura inclui bolsa, câmbio e renda fixa, com atenção ao leitor brasileiro que busca contexto factual, datas oficiais e implicações práticas. Na produção diária, prioriza fontes primárias (órgãos públicos, balanços, papers e documentos oficiais), cruza pelo menos duas referências independentes quando o tema é contestado e evita manchetes que prometam certeza onde há incerteza. Critérios de qualidade: lead com o fato principal, atribuição clara de autoria da equipe Estrato, atualização com selo quando há mudança material e linguagem acessível sem simplificar demais o risco ou o contexto. Trabalha sob revisão da mesa editorial e do editor-chefe do portal. Matérias YMYL recebem segunda leitura antes da publicação e podem ser atualizadas quando surgem novos dados oficiais. Limites: este perfil descreve o papel editorial na marca Estrato. O conteúdo publicado é informativo e não constitui aconselhamento médico, financeiro, jurídico ou profissional personalizado. Transparência ao leitor: metodologia em /metodologia/, ética em /etica-editorial/, correções em /correcoes/, equipe em /equipe/ e canal em /contato/ ([email protected]). Na página-mãe da rede, a bio ampliada e o arquivo de matérias ficam em estrato.cc/blog/, com link para o arquivo do autor em cada portal.

Deixe um comentário