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Enquanto Trump promete cortar gastos, dívida dos EUA bate recorde de US$ 40 trilhões e preocupa investidores

A dívida nacional dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões pela primeira vez A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela…

A dívida nacional dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões pela primeira vez
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez US$ 40 trilhões nesta quarta-feira (19), um marco histórico em meio ao aumento dos gastos com defesa, programas sociais e ao custo crescente dos juros no país.
O valor foi alcançado apenas cinco meses depois de a dívida americana superar US$ 39 trilhões, em março.
Outros US$ 1 trilhão haviam sido acrescentados cerca de cinco meses antes, em outubro, quando a dívida chegou a US$ 38 trilhões, segundo dados do Departamento do Tesouro americano.
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O avanço da dívida ocorre enquanto o governo dos Estados Unidos mantém gastos superiores à arrecadação.
⚔️ Os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 954 bilhões em defesa em 2025, segundo o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI), o equivalente a aproximadamente 37% de todo o gasto militar do mundo. Para 2026, a expectativa é que os gastos americanos ultrapassem US$ 1 trilhão.
Além disso, a guerra contra o Irã já havia custado US$ 37,5 bilhões aos Estados Unidos até 21 de julho de 2026, segundo o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth. O Pentágono também pediu ao Congresso mais US$ 67,1 bilhões para financiar a guerra e outras despesas militares.
O presidente americano Donald Trump tem prometido reduzir despesas e vem concentrando os cortes na máquina pública, com redução de funcionários, de programas de agências federais e da ajuda externa.
Ao mesmo tempo, o governo também busca cortar gastos em algumas áreas e eliminar despesas que considera desnecessárias.
O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo enquanto responde a perguntas da imprensa após assinar uma ordem executiva que estabelece a Comissão Presidencial para Cônjuges de Militares, que será presidida por Jennifer Rauchet, esposa do secretário de Defesa Pete Hegseth, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 3 de agosto de 2026
REUTERS/Evelyn Hockstein
➡️ Para cobrir a diferença, o Tesouro emite títulos públicos e toma dinheiro emprestado de investidores, com a promessa de devolver o valor acrescido de juros. Quanto maior a dívida e os juros cobrados, maior o custo para o governo.
Essa pressão aumentou nos últimos dias. Na terça-feira (18), o rendimento do título do Tesouro americano de 30 anos chegou a 5,34%, o maior nível desde 2007. O indicador representa o retorno exigido pelos investidores para emprestar dinheiro ao governo por um período de 30 anos.
🔎 O que são títulos públicos? São papéis emitidos pelo governo para “pegar dinheiro emprestado com investidores”. Quem compra um título recebe o dinheiro de volta no futuro, com juros. É uma das formas usadas pelo governo para financiar seus gastos.
Como o Tesouro tenta conter pressão no mercado
Foi nesse cenário que o Departamento do Tesouro anunciou na quarta-feira (19) que vai mais que dobrar o tamanho de algumas operações de recompra de títulos de longo prazo, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação.
A recompra é uma ferramenta de gestão da dívida. O Tesouro compra de volta títulos que estão nas mãos dos investidores, em uma tentativa de melhorar o funcionamento e a liquidez do mercado, ou seja, facilitar a compra e a venda desses papéis.
A medida foi anunciada após a alta dos juros dos títulos de longo prazo, em meio às preocupações dos investidores com a situação fiscal americana e os efeitos da guerra com o Irã sobre a inflação e os gastos do governo. Após o anúncio, o rendimento do Treasury de 30 anos recuou para cerca de 5,18%.
O objetivo é reduzir a pressão sobre o mercado de títulos públicos e facilitar a negociação desses papéis.
Por que a dívida está crescendo?
A dívida americana resulta de décadas de déficits. Quando o governo gasta mais do que arrecada, precisa buscar recursos no mercado para cobrir o rombo.
O endividamento aumentou fortemente durante a pandemia de Covid-19, quando o governo ampliou os gastos para sustentar a economia. Nos últimos anos, também houve aumento de despesas e cortes de impostos aprovados durante o governo Trump.
Desde 2017, a dívida americana mais que dobrou. Desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025, o estoque aumentou cerca de US$ 3,8 trilhões, segundo a Reuters.
Juros da dívida já são uma das maiores despesas
O crescimento do endividamento aumenta também o valor que o governo precisa desembolsar para pagar os juros dos títulos emitidos anteriormente.
➡️ Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, os gastos com juros da dívida já superaram as despesas com o Medicare, programa de saúde voltado principalmente para idosos. Os juros se tornaram a segunda maior despesa federal, atrás apenas da Previdência Social, segundo a Reuters.
Juros mais altos também podem afetar consumidores e empresas. Os títulos do Tesouro americano servem de referência para outras taxas de juros da economia. Quando seus rendimentos sobem, financiamentos imobiliários, empréstimos para compra de carros e crédito empresarial podem ficar mais caros.
Dívida pode se aproximar do limite legal
Os Estados Unidos têm um limite para o total que o governo federal pode tomar emprestado. O teto é definido pelo Congresso e pode ser elevado, suspenso ou abolido pelos parlamentares.
O limite atual é de US$ 41,1 trilhões. Segundo estimativa do Bipartisan Policy Center, o governo americano pode atingir esse valor entre o fim do inverno e meados do verão de 2027.
A marca de US$ 40 trilhões, portanto, deixa o país mais próximo de um novo debate sobre o limite da dívida no Congresso.
O número, por si só, não significa que os Estados Unidos estejam próximos de uma crise. Economistas acompanham principalmente a trajetória do endividamento, a capacidade do governo de pagar os juros e a disposição dos investidores de continuar financiando o país.

Fonte: G1 Economia

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Enquanto Trump promete cortar gastos, dívida dos EUA bate recorde…”?
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