INTERNACIONAL
Curva de juros recua com ‘trade eleitoral’ e alívio nos Treasuries
A curva de juros brasileira recuou em todos os vértices com nova pesquisa eleitoral de disputa pelo Palácio do Planalto…

A curva de juros brasileira recuou em todos os vértices com nova pesquisa eleitoral de disputa pelo Palácio do Planalto e alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Nesta quarta-feira (2), a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou próximo da estabilidade a 13,575%, ante 13,585% do fechamento anterior.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações a 13,950% ante 14,110% do fechamento anterior, queda de 16 pontos-base. Durante o pregão, a taxa bateu mínima com recuo de 20 pontos-base, a 13,915%.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, recuou 16 pontos-base e terminou o dia a 14,320% ante 14,480% do fechamento da última terça-feira (1).
No exterior, o mercado de títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, interrompeu a sequência de altas e recuou ao longo da sessão. Por volta de 18h (horário de Brasília), o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,371% ante 4,394% do ajuste anterior.
Já o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — caía para 4,78%, de 4,796% do fechamento da última terça-feira.
O que movimentou os DIs hoje?
O cenário eleitoral injetou apetite ao risco no mercado doméstico com redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno, de acordo com a pesquisa Quaest.
“As pesquisas têm mostrado um cenário mais acirrado, sem um cenário definido de reeleição [do governo Lula”, avalia Marco Saravelle, estrategista-chefe da Krivo Capital.
Para Marcos Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, “o movimento é relevante, já que uma parcela de investidores enxerga uma eventual troca de governo como um possível sinal de uma política econômica mais ortodoxa”, avalia.
A redução da vantagem do petista sobre o senador reforçou a aposta dos investidores em uma troca de governo em 2027. De modo geral, Lula é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que vê em sua reeleição um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio têm se refletido positivamente nos ativos.
Corte na Selic
Em meio ao cenário de disputa eleitoral acirrada, a curva de juros precifica cerca de 100% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em setembro, do atual nível de 14% para 13,75% ao ano.
Para o encontro de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a curva precificava cerca de 60% de chance de novo corte de 25 pontos-base, contra 40% de probabilidade de manutenção, durante a tarde desta quarta-feira.
“Eu não troquei meu call para novembro, continuo esperando estabilidade. Acho que o BC deve parar em novembro e depois voltar a cortar a Selic na sequência”, comentou Lais Costa, analista da Empiricus Research.
“Mas novembro depende muito da eleição. Se um cenário mais fiscalista se consolidar em outubro, o mercado pode até precificar um corte maior do que 25 pontos-base em novembro”, acrescentou.
*Com informações de Reuters
Fonte: Money Times
Perguntas frequentes
Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.
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