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Campanha de reciclagem de baterias na Índia enfrenta barreiras logísticas e de custos

Problemas de custos e logística estão dificultando o cumprimento das metas de reciclagem de baterias de baixo custo na Índia…

Problemas de custos e logística estão dificultando o cumprimento das metas de reciclagem de baterias de baixo custo na Índia por parte da Panasonic e de outras empresas, aumentando as preocupações ambientais e prejudicando o fornecimento de minerais essenciais.

Para pilhas secas portáteis, o tipo de bateria frequentemente usado em eletrônicos de consumo e uma importante fonte de energia na Índia rural, os fabricantes devem coletar 60% das baterias vendidas há três anos, durante o ano fiscal que termina em março de 2027, um aumento de 10 pontos percentuais em relação ao ano fiscal anterior. O não cumprimento dessa meta pode acarretar custos elevados sob a estrutura de Responsabilidade Estendida do Produtor (REP) da Índia.

No entanto, as taxas de coleta e reciclagem permanecem bem abaixo de 10% na maioria dos casos, principalmente devido a desafios práticos, afirmou Akio Fujita, presidente e diretor administrativo da Panasonic Energy India.

Iniciativas piloto de coleta realizadas pela Panasonic geralmente resultaram em taxas de coleta de 1% a 2%, com taxas atingindo 10% a 12% apenas em alguns casos excepcionais, quando havia estoques históricos de resíduos disponíveis.

Uma iniciativa piloto de reciclagem de 12 meses entre a fabricante de pilhas secas Indo National e a startup de coleta de lixo domiciliar The Kabadiwala, em Lucknow, no norte da Índia, coletou apenas 1% das pilhas vendidas na cidade nesse período, levando um alto executivo da empresa a declarar ao “Nikkei Asia” que “as metas de coleta do primeiro ano estão significativamente à frente do nível de prontidão do ecossistema”.

“A atual estrutura do BWMR (Regulamento de Gerenciamento de Resíduos de Baterias) precisará ser aprimorada para que não impeça empresas como a nossa de continuarem contribuindo para o crescimento sustentável e o investimento de longo prazo na Índia”, disse Fujita.

A experiência global mostra que mercados maduros, como Bélgica e Suíça, atingiram taxas de coleta de 60% a 70% somente após 15 a 20 anos.

Especialistas apontam o baixo valor do produto e a falta de conscientização do consumidor no varejo como os maiores obstáculos para a ampliação da coleta de pilhas secas para reciclagem.

“Baterias de alto valor, como as de veículos elétricos e automotivos, são mais fáceis de coletar e, portanto, reciclar, porque o valor residual significativo do produto usado incentiva os usuários a trocá-las”, disse Sunil Trikha, consultor veterano em baterias.

Em contrapartida, os consumidores tendem a descartar pilhas secas usadas no lixo comum.

Como as pilhas secas são baratas, Trikha afirmou que programas que incentivam os usuários a “trazer de volta sua pilha usada e obter 10% de desconto” provavelmente não terão muita adesão.

As normas de gestão de resíduos de baterias na Índia foram amplamente moldadas pelo aumento projetado na disponibilidade de baterias de íon-lítio em fim de vida útil para reciclagem, com a quantidade proveniente de eletrônicos de consumo aumentando 189%, de 19 mil toneladas em 2023 para 55 mil toneladas em 2035.

A falta de processamento adequado dos resíduos de baterias de lítio fará com que eles passem por canais informais, sendo em grande parte incinerados ou descartados em aterros sanitários. Esses processos liberam elementos tóxicos no ar, solo e água, representando uma séria ameaça à saúde humana e aos ecossistemas circundantes.

Além disso, isso prejudicaria a capacidade da Índia de reutilizar os minerais recuperados da reciclagem de baterias na fabricação de células, reduzindo assim a dependência da importação de matérias-primas minerais, cujos preços são voláteis e cujo fornecimento pode ser restringido devido a tensões geopolíticas.

No próximo ano fiscal, os fabricantes de células serão obrigados a usar uma porcentagem mínima de material recuperado na fabricação. Mas mesmo com uma coleta maior, especialistas afirmam que a viabilidade econômica da recuperação representa um problema, já que as normas de reciclagem equiparam células de zinco de baixo valor a baterias de íon-lítio que contêm minerais de alto valor.

Para o mesmo peso de resíduos, o valor do material recuperado de células de zinco é inferior a 5% do valor do material recuperado de baterias de lítio, disse Trikha. Além disso, esse processo é realizado por meio de um método químico mais caro e complexo do que, por exemplo, a fusão de baterias de chumbo-ácido.

No entanto, os parâmetros de compensação para o zinco foram alinhados com os de produtos químicos de alto valor agregado, como as baterias de íon-lítio — ambas atualmente em 2.400 rúpias (US$ 25) por quilograma —, com o custo do EPR variando de 30% a 100% desse valor.

Os fabricantes de pilhas secas que não conseguirem atingir as metas de coleta prescritas precisarão comprar créditos EPR de recicladores registrados.

Rajesh VL, consultor industrial, afirmou que as normas de reciclagem para pilhas de baixo valor deveriam ser implementadas de forma mais gradual do que a proposta. Atualmente, os fabricantes serão obrigados a coletar 70% das baterias vendidas três anos antes, no ano fiscal a partir de abril de 2027.

“As metas devem aumentar depois que os OEMs (fabricantes de equipamentos originais), as empresas de reciclagem e o governo conscientizarem os consumidores, desenvolverem a infraestrutura de coleta e a capacidade de reciclagem”, disse ele.

Além dos altos custos logísticos, as empresas de reciclagem precisam pagar um imposto de 18% sobre bens e serviços referente à sucata metálica obtida em canais de coleta informais, o que reduz ainda mais a relação custo-benefício da reciclagem de baterias de baixo valor.

Uma forma de reduzir custos seria a criação conjunta de redes que abranjam diversas cidades, ou a terceirização dessa função. A empresa de reciclagem de lixo eletrônico Attero, por exemplo, processa anualmente 15 mil toneladas de resíduos de baterias, incluindo 500 toneladas de pilhas secas, por meio de uma rede de coleta direta que abrange 21 cidades, além de parcerias com agregadores que cobrem outras 1.000 cidades.

“O custo da coleta de lixo eletrônico por meio de uma rede de logística reversa diminui com a escala”, afirmou Nitin Gupta, CEO e cofundador da empresa.

Para Gupta, parte da solução para o problema da reciclagem é incorporar o custo do descarte das baterias ao preço do produto, o que, segundo ele, aumentaria o preço das baterias primárias em no máximo 10%.

A visão mais ampla é que a reciclagem é bem-sucedida quando todas as partes interessadas têm um incentivo econômico para participar.

“A transição de um modelo de coleta obrigatória para um modelo de responsabilidade compartilhada, envolvendo governo, consumidores e representantes da indústria, ajudaria a alcançar resultados sustentáveis na reciclagem”, afirmou Fujita, da Panasonic.

Fonte: Valor Empresas

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