INTERNACIONAL
B55: Nizan Guanaes diz que empreendedores devem criar novas categorias em vez de disputar mercados dominados
“Quando você não consegue vencer o jogo, mude o jogo. Só existe um jeito de ganhar de um campeão de…

“Quando você não consegue vencer o jogo, mude o jogo. Só existe um jeito de ganhar de um campeão de xadrez: convidá-lo para jogar cartas.” Com essa imagem, Nizan Guanaes, fundador da N.Ideias, abriu nesta quarta-feira (30) o segundo dia da B55 Conference, em São Paulo. Diante de empreendedores, ele defendeu que disputar para ser apenas ligeiramente melhor em uma categoria já dominada é uma aposta ruim. “Ser melhor é um delta pequeno. Você é capaz de entrar numa guerra de preço, e o consumidor não consegue perceber isso”, disse.
Na palestra, Guanaes anunciou o lançamento da N.AI, ferramenta de inteligência artificial voltada a pequenos negócios que, segundo ele, hoje não têm acesso ao mercado publicitário. O produto vai custar R$ 100, afirmou. “É o pior salário que eu já tive”, brincou. A N.Ideias continuará vendendo estratégia, enquanto a N.AI vai “monetizar o passado”, nas palavras dele, ao oferecer em escala sua capacidade de criar publicidade. “Com a N.Ideias eu tô mexendo no presente, e com a N.AI, no futuro. Antes eu era agência, hoje eu passei a ser agente”, afirmou.
Promovida pelo Instituto B55, organização sem fins lucrativos de formação e mentoria de empreendedores fundada por Cristhiano Faé, David Vélez, Guilherme Benchimol e André Street, a conferência realiza sua primeira edição no Suhai Music Hall, em São Paulo, com mais de 3 mil inscritos.
Para Guanaes, a limitação de recursos é o que obriga o fundador a fazer diferente. “Esse cara não tem dinheiro a rodo. Ele vai ter que construir do próprio jeito dele”, disse. “Eu já vi muito mais gente fazendo besteira com verba do que sem.” O consultor comparou o empreendedor brasileiro a um triatleta, que precisa lidar com impostos e insegurança jurídica antes de obter retorno.
Guanaes citou empresas que, em sua avaliação, deixaram de competir na categoria original para criar outra. “A JHSF não é uma construtora. Ela construiu uma marca, um universo, uma proposta de valor”, afirmou. Sobre a BYD, disse que a chinesa reimaginou o automóvel como uma plataforma de tecnologia integrada. “O BYD é um iPhone sobre rodas. Antigamente, carro barato era carro pior. Agora, carro barato é carro bom. Eu tenho pena dos outros carros, porque eles estão competindo com outra coisa.”
Entre os brasileiros, mencionou João Adibe, da Cimed. Segundo Guanaes, o empresário “descomoditizou a commodity” ao colocar a própria família na marca, de modo que o produto deixou de ser visto como mais um genérico.
Durante o evento, Guanaes também defendeu que aquilo que as empresas se recusam a fazer pode ser um ativo. Ele afirmou ter aberto mão de anunciantes do setor de apostas, com verba que estimou em R$ 1 bilhão, para não comprometer sua proposta de valor.
Ao falar sobre cultura empresarial, comparou a empresa a uma igreja que se organiza contra um adversário comum. “Você só constrói uma igreja arrumando um demônio. Quem foi o demônio da XP? Os bancos, com todo respeito.” Também recomendou que os fundadores não se isolem dos clientes. “Me botaram numa sala VIP. Mas na sala VIP não tem cliente, não tem energia, não tem aprendizado”, afirmou. “Ande com gente melhor que você”, finalizou.
Nizan Guanaes
Rogério Vieira/Valor
Fonte: Valor Empresas
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