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Alphabet promove reestruturação na divisão de IA do Google e sofre revoada de talentos
A Alphabet, controladora do Google, anunciou nesta quarta-feira (5) uma profunda reformulação na liderança de sua divisão de inteligência artificial.…

A Alphabet, controladora do Google, anunciou nesta quarta-feira (5) uma profunda reformulação na liderança de sua divisão de inteligência artificial. Demis Hassabis deixará seu principal cargo gerencial, enquanto vários líderes do modelo Gemini, incluindo o veterano engenheiro Jeff Dean, estão de saída da empresa. A reestruturação ocorre em um momento crucial para o laboratório Google DeepMind, isso porque a versão mais recente de seu modelo Gemini permanece sem lançamento, apesar de a estreia estar planejada para junho, o que tem gerado preocupações entre investidores e o setor de que o Google estaria ficando para trás em relação a rivais como Anthropic e OpenAI. Ambas as concorrentes atraíram talentos de peso da área de IA do Google durante o verão do hemisfério norte. Hassabis, que foi laureado com o Nobel de Química em 2024, assumirá o recém-criado cargo de cientista-chefe da Alphabet e fará a transição de CEO para presidente do Google DeepMind, conforme informou em um memorando enviado aos funcionários. Ele apontou a proximidade da inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês), um estágio avançado no qual os computadores se tornam essencialmente tão inteligentes quanto os humanos, como o principal motivador para a mudança em seu papel. “Hassabis e eu temos discutido há muito tempo sobre um papel que lhe permita concentrar toda a sua atenção em moldar ativamente o futuro da AGI”, afirmou o diretor-presidente da Alphabet, Sundar Pichai, em um memorando separado enviado a toda a empresa. “É um trabalho de vital importância para a Alphabet e para a humanidade, e não consigo imaginar uma pessoa melhor do que o Demis para realizá-lo.” Koray Kavukcuoglu, atual diretor de tecnologia da unidade, assumirá as responsabilidades do dia a dia. Ele terá o título de vice-presidente sênior, em vez de CEO da unidade de negócios, acumulando a função com o cargo paralelo de arquiteto-chefe de IA da Alphabet. Jeff Dean, Sanjay Ghemawat, Oriol Vinyals e Quoc Le, alguns dos líderes de engenharia e IA mais famosos e elogiados do Google, deixaram a empresa para fundar uma startup chamada Discovery Loop. O novo empreendimento focará na pesquisa de avanços em aprendizado de máquina, ciência e engenharia, e está estruturado como uma corporação de benefício público. A Alphabet não forneceu detalhes sobre o que motivou as mudanças ou a coincidência no timing. Hassabis, que historicamente priorizou a pesquisa em detrimento dos lucros, vai explorar pesquisas e estratégias relacionadas aos impactos sociais da AGI e terá poucos subordinados diretos, declarou um porta-voz do Google à agência Reuters. Em seu memorando interno, Hassabis destacou o “grande progresso” nos modelos de IA do Google, incluindo uma atualização ainda não lançada chamada Gemini 4. Ele também mencionou que passará a dedicar mais tempo à Isomorphic Labs, uma empresa de descoberta de medicamentos derivada da DeepMind, da qual é fundador e CEO. “Sempre acreditei que a principal aplicação da IA deveria ser a melhoria da saúde humana”, disse ele. “É hora de a IA provar seu valor inequívoco para o mundo, e que melhor maneira de demonstrar isso do que ajudar a curar definitivamente doenças como o câncer?” Fuga de cérebros Dean e Hassabis foram considerados as duas principais figuras de inteligência artificial do Google durante anos, antes de o campo se tornar o centro global da inovação tecnológica. Hassabis cofundou a DeepMind em 2010 e continuou a comandar o laboratório a partir de Londres, após vendê-lo para o Google por cerca de US$ 650 milhões em 2014. Em 2011, Jeff Dean cofundou o Google Brain, uma unidade sediada nos Estados Unidos que ele liderou para pesquisar IA de forma separada da equipe de Hassabis. Naquela altura, ele já era uma figura reverenciada dentro do Google, conhecido por sua colaboração com Ghemawat em diversos projetos de infraestrutura marcantes que ainda sustentam a empresa hoje. Em 2023, após o lançamento do ChatGPT da OpenAI pegar o Google desprevenido, Pichai anunciou a fusão da DeepMind com o Google Brain em uma nova organização batizada de Google DeepMind. Hassabis foi nomeado CEO e Dean, cientista-chefe. Até pouco tempo atrás, Dean, Vinyals e Noam Shazeer co-lideravam o desenvolvimento do Gemini. Sob a gestão deles, o Google lançou o Gemini 3 em novembro passado, o que o setor interpretou amplamente como uma forma de reduzir a desvantagem em relação aos principais modelos da Anthropic e da OpenAI. No entanto, os avanços subsequentes desses concorrentes, somados ao ímpeto de modelos de código aberto mais baratos vindos da China, colocaram o Google na defensiva. Na conferência anual de desenvolvedores do Google em maio, Pichai e outros executivos destacaram a vantagem de custo do Gemini, em vez de suas capacidades de ponta. Shazeer saiu para a OpenAI em junho, menos de dois anos depois de o Google pagar bilhões para contratá-lo, junto de uma equipe de pesquisadores, da startup que ele liderava. Na mesma semana, o cientista sênior de pesquisas John Jumper, que faturou o Nobel ao lado de Hassabis em 2024, anunciou que se juntaria à Anthropic. Vinyals, Le e o ex-cientista-chefe da OpenAI Ilya Sutskever coautoram um artigo de pesquisa em 2014 que se tornou fundamental para a pesquisa moderna de IA, ao estabelecer o conceito de que ampliar a escala de dados para o “pré-treinamento” de sistemas de IA os levaria a patamares inéditos. A Discovery Loop recebeu investimentos do Google e também firmou uma parceria com a divisão de nuvem da gigante tecnológica para o fornecimento de capacidade de computação. Sede da Alphabet, a controladora do Google, em Mountain View, Califórnia David Paul Morris/Bloomberg
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